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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

4,8 mil novos presidentes assumem, mas o convite é maior: leia e viaje pelos 45 anos de história de um partido que nunca se escondeu do povo.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O fim de semana foi histórico para a militância petista. Mais de 4.865 novos presidentes municipais e estaduais do PT tomaram posse após o Processo de Eleição Direta (PED 2025), que mobilizou cerca de 550 mil filiados em todo o Brasil. Foi o maior processo eleitoral interno já realizado em 45 anos de história do Partido dos Trabalhadores.

As novas direções assumem um triplo desafio: intensificar a organização partidária, ampliar a base social e transformar em capital político as conquistas do governo do presidente Lula. O recado é claro: o PT não quer apenas administrar vitórias institucionais, mas transformar cada obra, cada programa social, cada avanço em apoio popular estruturado.

Entre os compromissos assumidos pelos novos dirigentes estão a defesa da democracia, o fortalecimento da soberania nacional e a luta pela justiça social e tributária. “Não haverá anistia para golpistas ou inimigos da democracia”, frisou Laércio Ribeiro, secretário Nacional de Organização, em tom de enfrentamento à extrema-direita.

Lula como centro do projeto

O nome de Lula foi citado de forma unânime como prioridade absoluta. Reeleger o presidente em 2026 é a principal missão do partido, que já mira também a ampliação de suas bancadas parlamentares. Para Edinho Silva, eleito presidente nacional do PT para os próximos quatro anos, a tarefa é clara: “A militância precisa ocupar cada canto do Brasil, mostrando que o país voltou a ter governo, voltou a ter esperança”.

Raízes populares contra narrativas bolsonaristas

Enquanto os bolsonaristas seguem tentando vender narrativas de fraude, vitimismo e ressentimento, o PT aposta no trabalho de base. Em comunidades rurais, periferias urbanas, movimentos sociais e sindicatos, a nova leva de dirigentes terá a missão de reaproximar o partido do cotidiano do povo.

Essa reorganização, que inclui núcleos populares e maior presença em bairros e cidades do interior, é também um antídoto contra as fake news e contra o esvaziamento político promovido pela direita radical.

Um partido que não se esconde

Diferente de seus adversários, que frequentemente trocam de legenda como quem troca de camisa, o PT aposta em sua identidade histórica: a ligação com o povo trabalhador, com os movimentos sociais, com a juventude e com as mulheres. Essa posse massiva reafirma a ideia de que o partido não tem medo de se apresentar, se organizar e disputar corações e mentes no território real.

Se a extrema-direita brasileira se acostumou a tentar dar golpes de gabinete ou a gritar em redes sociais, os petistas decidiram ocupar as ruas, os bairros, os sindicatos e os espaços populares. É nesse embate direto que se definirá o futuro da democracia brasileira.


🌟 A longa história do PT: da fundação operária ao maior partido de esquerda da América Latina

O Partido dos Trabalhadores nasceu em 10 de fevereiro de 1980, no histórico Colégio Sion, em São Paulo, reunindo operários do ABC paulista, lideranças sindicais, intelectuais, artistas, religiosos progressistas ligados à Teologia da Libertação e militantes de diferentes movimentos sociais. Seu surgimento foi um marco na redemocratização do Brasil, rompendo com a lógica das siglas controladas pelas elites econômicas e políticas.

Desde a fundação, o PT se apresentou como um partido diferente: com democracia interna, diretórios municipais espalhados pelo país e um programa que defendia não apenas eleições livres, mas também participação popular direta, direitos sociais e soberania nacional.

Nos anos 1980, o partido ganhou força com as greves históricas do ABC e com a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, um operário metalúrgico que se tornaria o maior símbolo político da classe trabalhadora brasileira. Lula disputou sua primeira eleição presidencial em 1989, chegando ao segundo turno contra Fernando Collor de Mello, em uma campanha marcada pela manipulação midiática e pelo medo fabricado contra a esquerda.

Mesmo derrotado, o PT cresceu exponencialmente nos anos seguintes, elegendo prefeitos em grandes cidades como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. O partido se tornou referência em gestão participativa, especialmente com a criação do Orçamento Participativo em Porto Alegre, modelo copiado no mundo inteiro.

Nos anos 1990, o PT consolidou-se como a principal força de oposição ao neoliberalismo, combatendo as privatizações do governo FHC e denunciando os efeitos sociais da abertura econômica descontrolada.

A chegada ao poder

Em 2002, depois de três derrotas presidenciais, Lula foi eleito presidente da República, levando pela primeira vez um partido de origem operária e popular ao comando do Brasil. Seu governo promoveu uma revolução silenciosa: tirou mais de 30 milhões de brasileiros da pobreza, criou programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o ProUni, expandiu universidades e institutos federais, valorizou o salário mínimo e transformou o país em protagonista internacional.

Em 2006, Lula foi reeleito e encerrou o segundo mandato com aprovação recorde, deixando o Brasil com crescimento econômico, reservas internacionais robustas e respeito global.

Dilma, o golpe e a resistência

Em 2010, o PT elegeu sua primeira mulher presidente: Dilma Rousseff, que manteve as políticas sociais e de inclusão, mas enfrentou dura reação conservadora, culminando no golpe parlamentar de 2016. Dilma foi derrubada sob acusações frágeis de pedaladas fiscais, num processo amplamente denunciado como ruptura democrática.

O golpe abriu caminho para o avanço do conservadorismo e para a perseguição judicial contra Lula, preso injustamente na Operação Lava Jato. Mesmo encarcerado, Lula se manteve como a maior liderança popular do país, até ser libertado em 2019, quando sua inocência começou a ser reconhecida pelo próprio Supremo Tribunal Federal.

O retorno histórico

Em 2022, Lula voltou à Presidência, derrotando Jair Bolsonaro em uma eleição marcada pela polarização e pela ameaça golpista. Foi a consagração da resistência petista: o partido que nasceu das greves operárias e foi alvo de golpes e perseguições conseguiu retomar o comando do país em nome da democracia.

Hoje, com 45 anos de existência, o PT é o maior partido de esquerda da América Latina, com milhões de filiados, presença em todo o território nacional e uma marca indelével na história brasileira. Sua trajetória é feita de conquistas, derrotas, resistência e renascimento — e sua atual reorganização mostra que não se trata apenas de um partido eleitoral, mas de uma força política que atravessa gerações.


📌 Linha do tempo do PT

  • 1980 – Fundação do PT no Colégio Sion (SP).
  • 1982–1988 – Expansão nacional: diretórios, prefeituras e base social em sindicatos, pastorais e movimentos populares.
  • 1986–1991Lula é eleito deputado federal por SP com ~651 mil votos (o mais votado) e integra a Assembleia Nacional Constituinte (1987–1988), liderando a bancada do PT.
  • 1989Lula disputa e perde o 2º turno para Fernando Collor (PRN).
  • 1994Lula perde para Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no 1º turno.
  • 1998Lula perde novamente para FHC (PSDB), reeleito no 1º turno.
  • 2002Lula vence José Serra (PSDB) no 2º turno e é eleito presidente.
  • 2006Lula é reeleito, derrotando Geraldo Alckmin (PSDB) no 2º turno.
  • 2010Dilma Rousseff vence José Serra (PSDB) no 2º turno e se torna a primeira mulher presidenta do Brasil.
  • 2014Dilma é reeleita, derrotando Aécio Neves (PSDB) no 2º turno.
  • 2016 – Impeachment de Dilma; ruptura denunciada por setores progressistas e ascensão de Michel Temer (MDB).
  • 2018Com Lula impedido, Fernando Haddad (PT) disputa e perde para Jair Bolsonaro (PSL) no 2º turno.
  • 2019Lula é libertado e retoma articulação política.
  • 2022Lula vence Jair Bolsonaro (PL) no 2º turno e volta à Presidência.
  • 2025PT empossa 4.865 novos presidentes municipais e estaduais eleitos no PED 2025, preparando terreno para 2026.

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