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De “cidadão sinopense” a investigado: PF vê indícios de lavagem de dinheiro e vínculos com a farra do INSS

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O nome de Nelson Wilians, advogado que recebeu da Câmara de Sinop o título de cidadão sinopense, voltou a circular nos corredores da vergonha nacional. O motivo? Uma operação da Polícia Federal que expôs suspeitas de lavagem de dinheiro bilionária ligada ao maior escândalo previdenciário da história recente: a farra dos descontos indevidos sobre aposentados e pensionistas do INSS.

A Operação Cambota, desdobramento da Sem Desconto, mirou diretamente o escritório de Wilians e suas ligações com o empresário Maurício Camisotti, apontado como articulador das entidades envolvidas no esquema. Ao lado dele, outro personagem carimbado: Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso na nova fase.

O pedido de prisão de Wilians chegou a ser apresentado pela Polícia Federal, mas foi barrado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Ainda assim, o advogado permanece investigado, alvo de buscas e apreensões em endereços de luxo, onde a PF encontrou um verdadeiro museu da ostentação.

Ferrari, Rolls-Royce, Bentley, esculturas, vinhos raros, joias e até uma réplica em tamanho real do carro de Fórmula 1 pilotado por Ayrton Senna. A cereja do bolo? Uma coleção de relógios avaliada em R$ 15 milhões, incluindo Richard Mille, Patek Philippe, Rolex e Parmigiani Fleurier.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transferências sem explicação plausível: pelo menos R$ 28 milhões repassados por Wilians a Camisotti. Relatórios indicam movimentações bilionárias, pulverizadas por empresas de fachada e repasses cruzados, dificultando o rastreio dos verdadeiros beneficiários.

Para os investigadores, o escritório de Wilians funcionava como engrenagem para dar aparência de legalidade ao dinheiro desviado da folha dos aposentados. Entre os negócios suspeitos, a compra de um imóvel de R$ 22 milhões no Jardim Europa, em São Paulo, demolido e anexado à mansão do advogado.

Apesar de negar irregularidades, a defesa de Wilians não conseguiu evitar o desgaste. A narrativa oficial é de que as operações foram “negócios lícitos”, mas os documentos apreendidos reforçam a visão da PF: há fortes indícios de ocultação patrimonial e uso de estruturas jurídicas para blindar fortunas erguidas sobre o sofrimento dos mais pobres.

Em Sinop, onde foi homenageado como “cidadão sinopense”, a imagem de Wilians despenca no mesmo ritmo em que a PF expõe os bastidores de um esquema que atingiu aposentados de todo o Brasil. A honraria da Câmara se transformou em constrangimento público: o “orgulho” virou vergonha estampada nos noticiários.


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