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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Enquanto aposentados eram saqueados, Bolsonaro e aliados fechavam os olhos para um esquema de R$ 6,3 bilhões

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A Polícia Federal prendeu, nesta sexta-feira (12 de setembro de 2025), dois dos principais nomes do escândalo bilionário que assombra aposentados e pensionistas do país: o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. A ação faz parte da Operação Cambota, nova fase da já conhecida Operação Sem Desconto, que investiga desvios de pelo menos R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 — justamente durante o governo de Jair Bolsonaro, que deixou florescer a maior fraude previdenciária da história recente.

Enquanto Bolsonaro discursava contra a “mamata” e pregava moralidade, debaixo de seu governo florescia um dos maiores esquemas de corrupção já descobertos no INSS. Não se tratava de um caso isolado, mas de um arranjo estruturado, com o aval de servidores do Instituto, associações de fachada e empresas que operavam em clima de impunidade. O ex-presidente, ocupado em atacar instituições e blindar aliados, permitiu que o sistema fosse capturado por fraudadores que enriqueceram às custas de aposentados.

O esquema que roubava dos pobres

Segundo as investigações, aposentados e pensionistas sofreram descontos ilegais em seus benefícios, disfarçados como contribuições associativas. O dinheiro era canalizado para empresas de fachada ligadas a Antunes e Camisotti. O “Careca do INSS” movimentou sozinho mais de R$ 53,5 milhões, dos quais cerca de R$ 9,3 milhões teriam sido pagos em propina a servidores do INSS, garantindo a manutenção da engrenagem criminosa.

O esquema operava com tamanha ousadia que, às vésperas de uma operação da PF, investigados esconderam carros de luxo — entre eles uma Ferrari e duas Mercedes — em estacionamentos de shoppings de Brasília. Um contraste gritante com a realidade dos idosos que viam seus parcos benefícios diminuídos mês a mês.

Mandados, apreensões e ostentação

A nova fase da operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A PF apreendeu veículos de luxo, obras de arte, relógios caros e dinheiro vivo. Bens que simbolizam a ostentação construída sobre o sofrimento de milhares de brasileiros.

As defesas em xeque

As defesas seguem o script tradicional: negam participação, alegam perseguição política e dizem que todas as operações eram lícitas. O advogado Nelson Wilians, também citado, afirmou que suas relações financeiras com Camisotti eram legais. Camisotti reclamou de abuso de autoridade em sua prisão, enquanto Antunes disse colaborar com as autoridades. Palavras vazias diante do rastro de prejuízo deixado pelo esquema.

A responsabilidade política de Bolsonaro

A fraude não nasceu no vácuo. O período em que se consolidou coincide exatamente com o governo Bolsonaro, marcado pelo desmonte da fiscalização, loteamento de cargos e uma retórica anticorrupção que escondia a conivência com práticas criminosas. A “herança maldita” do bolsonarismo está escancarada: um país onde servidores e empresários se sentiram livres para assaltar aposentados, certos de que nada aconteceria.

Ao permitir que o INSS fosse capturado por quadrilhas, Bolsonaro não só traiu sua promessa de combater a corrupção, como deixou uma marca indelével de desgoverno e descaso. O saque contra os idosos é mais uma cicatriz da era em que o Estado foi usado como balcão de negócios para aliados e oportunistas.

Justiça em movimento

Com as prisões de Antunes e Camisotti, a PF dá um passo importante. Mas resta o desafio de punir todos os envolvidos e recuperar valores desviados. Mais do que isso, é preciso cobrar responsabilidade política. O caso será lembrado como um dos maiores escândalos previdenciários da história, incubado no período Bolsonaro e que expôs, de forma cruel, a distância entre o discurso moralista e a prática corrupta de seu governo.

Enquanto os golpistas ainda insistem em chamar Bolsonaro de mito, a realidade mostra o oposto: um governo que deixou como legado a destruição, a mentira e o maior assalto já visto contra aposentados brasileiros.


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