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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Para toda doença tem seu CID, e aqui foi ele quem delatou

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Um fato histórico

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro — ex-presidente da República — a 27 anos, 3 meses e 124 dias-multa, em regime inicialmente fechado, por tentativa de golpe de Estado e quatro outros crimes conexos. Essa pena é a maior já imposta a um presidente brasileiro, um marco sem precedentes na história da nossa democracia.

Além dele, foram condenados outros sete réus, entre generais, ex-ministros e aliados, com penas que variam de 2 a 26 anos de prisão. O contraste chama atenção: Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator no processo, recebeu a pena mais branda — apenas 2 anos em regime aberto, por colaborar com a Justiça.


Provas que pesaram — como se armou a trama

A condenação não surgiu do nada. O relatório do ministro Alexandre de Moraes mapeou uma série de atos que, segundo ele, compunham um plano detalhado para minar as instituições brasileiras.

Entre os pontos centrais:

  • Discursos públicos nos quais Bolsonaro atacava abertamente o STF e o TSE, como no 7 de setembro de 2021, na Avenida Paulista, quando disse que não cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes “a menos que este se enquadrasse ou pedisse para sair”.
  • A Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal, revelou reuniões secretas, monitoramento ilegal de ministros do STF, mobilização de fake news em larga escala e até planos de ações violentas caso Bolsonaro perdesse as eleições.
  • O relatório apontou 13 atos executórios que serviram de evidência da organização criminosa: desde mobilizações políticas e uso de aparato institucional até conversas com militares e ensaios de golpe.
  • Moraes resumiu: Bolsonaro “instrumentalizou o aparato estatal para gerar instabilidade social e se manter no poder”. Ou seja, não foi improviso: era um projeto ideológico e permanente.

O placar, o voto dissidente e a defesa

O julgamento terminou em 4 a 1. Quatro ministros votaram pela condenação do núcleo central da trama golpista. O único voto dissidente foi o do ministro Luiz Fux, que alegou falta de provas para parte dos crimes, questionou a jurisdição e pediu absolvição parcial.

Já a defesa de Bolsonaro chamou a decisão de “absurdamente excessiva e desproporcional”, afirmando que ele não participou dos atos de 8 de janeiro de 2023 e nunca tentou golpe. Os advogados anunciaram que vão recorrer a instâncias superiores e até internacionais, mas a marca histórica da condenação já está feita.


Repercussão internacional e o jogo diplomático

A decisão não repercutiu apenas dentro do Brasil. O impacto foi global:

  • Países vizinhos e líderes latino-americanos elogiaram a decisão como um exemplo de defesa da democracia em tempos de ameaças autoritárias.
  • Nos Estados Unidos, figuras políticas como o senador Marco Rubio classificaram o julgamento como “witch hunt” (caça às bruxas), gerando tensão diplomática. O governo brasileiro respondeu reafirmando a independência do STF.
  • A imprensa internacional, como The Guardian e AP News, destacou que este foi o primeiro julgamento no mundo em que um ex-chefe de Estado foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Um peso simbólico gigantesco.

As penas impostas pelo STF

  • Jair Bolsonaro: 27 anos e 3 meses + 124 dias-multa (regime fechado)
  • Walter Braga Netto: 26 anos + 100 dias-multa (regime fechado)
  • Anderson Torres: 24 anos + 100 dias-multa (regime fechado)
  • Almir Garnier: 24 anos + 100 dias-multa (regime fechado)
  • Augusto Heleno: 21 anos + 100 dias-multa (regime fechado)
  • Paulo Sérgio Nogueira: 19 anos + 44 dias-multa (regime fechado)
  • Alexandre Ramagem: 16 anos + 50 dias-multa (regime fechado)
  • Mauro Cid: 2 anos (regime aberto, por colaboração premiada)

Consequências práticas — pede pra estremecer

A condenação de Bolsonaro terá efeitos duradouros:

  • Ele ficará inelegível por muitos anos, sepultando de vez seus planos de voltar ao poder.
  • Dentro da direita, abre-se uma disputa para ver quem herdará seu eleitorado órfão.
  • Cria-se um precedente jurídico histórico: líderes políticos que atacam a democracia, disseminam fake news e instrumentalizam o Estado podem ser punidos de forma exemplar.
  • Também funciona como alerta: instituições, imprensa e sociedade civil precisam manter vigilância constante contra novas tentativas de autoritarismo.

O símbolo maior: morre o bolsonarismo

Assim como os “coxinhas” do PSDB se esvaziaram, agora é o bolsonarismo que chega ao seu fim. O movimento que nasceu das fake news de 2018 — mamadeira de piroca, kit gay, banheiro unissex — é enterrado.

O 12 de setembro de 2025 marca o enterro de uma era. O “mito” virou presidiário. O discurso de “perseguição política” perde força diante de um processo público, repleto de provas e julgamento transparente.

Morre o bolsonarismo, nasce uma democracia mais forte.


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