
Três grandes fazendeiros cederam o jato usado por Flávio Bolsonaro no Mato Grosso, durante a campanha de 2022. Dois deles têm histórico de multas ambientais e participação em atos golpistas.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O roteiro é didático. Em 26 de agosto de 2022, Flávio Bolsonaro foi a Campo Novo do Parecis para levantar recursos. Nos dias seguintes, 29 empresários do agro de MT fizeram 30 doações que somaram R$ 3,4 milhões à campanha de Jair Bolsonaro, segundo dados do TSE compilados pela imprensa local. Destaque para R$ 1 milhão de Oscar Luiz Servi (Agropecuária Reata) e R$ 500 mil de Celso “Bala”, o autoproclamado “Rei do Gado” — além de várias transferências entre R$ 50 mil e R$ 150 mil de nomes conhecidos do setor em MT.
E o jatinho? A aeronave PT-TJS, um Cessna de 2007, estava cedida à Gestão Cessna Citation SPE Ltda., sediada na Bahia. À época, a empresa tinha como sócios os fazendeiros João Antônio Franciosi, Dirceu Montani e Lauro Antonio Luza. Registro da ANAC indica que o avião não tinha autorização para táxi aéreo — isto é, era jato privado.
Quem são eles no tabuleiro?
– João Antônio Franciosi: figurou no desfile de tratores do 7 de Setembro em Brasília — aquele showmício com maquinário do agro travestido de “cívico” — e já foi multado pelo Ibama em R$ 1,6 milhão por desmatamento ilegal, conforme reportagens investigativas.
– Dirceu Montani: grande proprietário no oeste da Bahia; registros públicos apontam autuação do Ibama por desmate de 790 hectares em São Desidério (2016).
– Lauro Antonio Luza: aparece como sócio da empresa que operou o Cessna usado por Flávio, conforme a documentação da própria Gestão Cessna Citation SPE citada na imprensa. Conteúdo editorial recente também o relaciona à cessão do avião.
Enquanto isso, o cofre abriu. A sequência entre voos políticos e cheques do agro não ficou no terreno do boato: a mesma cobertura jornalística mostra que a peregrinação de Flávio pelo Mato Grosso foi seguida por uma leva de doações robustas — a ponto de R$ 3,4 milhões entrarem logo após sua passagem. Esse dinheiro ajudou a recompor o caixa quando o PL declarou esgotamento do “fundão” na campanha.
O enredo dispensa metáfora: jato privado, pista de pouso ruralista, discurso “patriótico” e pix eleitoral. No palco, agro de colheitadeira brilhando no 7 de Setembro; nos bastidores, auto-intitulados “produtores de bem” com ficha ambiental pesada e uma logística de campanha que tratou o país como curral.
Não custa lembrar: a narrativa do “setor que sustenta o Brasil” costuma esquecer o básico — cumprir lei ambiental, pagar imposto e não flertar com aventuras antidemocráticas. Quando o poder pede carona, sempre tem um latifúndio oferecendo asa.

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