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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Sem precisar de tutores estrangeiros, o Brasil mostra força e liderança no combate ao crime organizado na Amazônia

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

“Não precisamos de intervenções estrangeiras nem de ameaças à nossa soberania. Somos perfeitamente capazes de ser protagonistas de nossas próprias soluções.” Foi com essa declaração firme que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta terça-feira (9/9), em Manaus, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), uma estrutura inédita no continente que pretende mudar o rumo da segurança na região amazônica.

A nova unidade tem a missão de integrar forças policiais e de inteligência dos nove países amazônicos e dos nove estados da Amazônia Legal brasileira, com foco no enfrentamento de crimes ambientais, tráfico de drogas, armas e pessoas, além do combate ao garimpo ilegal e ao desmatamento. “Não existem espaços vazios. O crime ocupa os lugares que o Estado não preenche. Nossa missão é restituir a força da lei pela presença do Estado”, afirmou Lula no discurso.

O CCPI, classificado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, como “o maior ambiente de integração operacional e estratégico do continente”, nasce com o objetivo de reforçar a soberania regional e reduzir a dependência de tutelas externas. Segundo Rodrigues, “nunca antes na história houve um sistema de proteção da Amazônia com esse nível de integração”.

O projeto faz parte do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), que conta com R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia. Entre as inovações tecnológicas previstas, está a chamada Operação Ouro-Alvo, que permitirá identificar a origem do ouro apreendido por meio da análise de isótopos, funcionando como uma espécie de “DNA do ouro”. Esse recurso será fundamental para desmontar redes de mineração ilegal que alimentam esquemas nacionais e internacionais.

Outro destaque é a preocupação ambiental: o prédio do CCPI Amazônia será o primeiro da Polícia Federal com emissão zero de carbono, simbolizando que a luta pela segurança pode caminhar junto com a proteção ambiental.

Além da cooperação entre os países amazônicos, o centro também vai contar com a parceria de órgãos internacionais, como Interpol e Europol. A ideia é criar um ambiente de inteligência compartilhada, que facilite operações conjuntas e fortaleça a soberania regional sem abrir mão da colaboração estratégica com instituições globais.

A inauguração do CCPI Amazônia é mais do que um ato administrativo: é um marco político. Representa a resposta a décadas de omissão estatal que abriram espaço para o avanço do crime organizado, da grilagem e da violência contra defensores ambientais e povos originários. Agora, a promessa é de um Estado presente, com tecnologia, integração e cooperação para enfrentar o que há de mais sofisticado no crime transnacional.

Se a fala de Lula ecoa como bandeira de soberania, o desafio será transformar esse discurso em prática: impedir que o centro vire apenas vitrine institucional e garantir que, de fato, a floresta e seus povos estejam protegidos. O tempo dirá se essa nova estrutura será lembrada como divisor de águas ou apenas mais uma peça na longa lista de boas intenções que não chegaram a se traduzir em realidade.


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