
Bolsonaristas choram por “18 anos de PT”, mas esquecem os 500 anos de direita que moldaram a desigualdade no Brasil.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O discurso mais repetido pela extrema-direita é o de que “o PT governou 18 anos e deixou o país na miséria”. A frase pode soar de efeito, mas ignora um detalhe elementar: o Brasil não nasceu em 2003. São mais de 500 anos de história, e nesse tempo, quem esteve no comando quase sempre foram as elites conservadoras e a direita. Foram séculos de privilégios para poucos e exclusão para a maioria.
Da escravidão à ditadura: séculos de domínio conservador
Foram mais de 300 anos de escravidão, sustentada pela elite escravocrata, que construiu sua riqueza com base na exploração humana. Após a independência, a monarquia manteve intactos os privilégios das classes dominantes. A chamada República Velha (1889–1930) foi marcada pelo domínio das oligarquias e pelo voto controlado pelos coronéis.
Quando a sociedade brasileira começou a se mobilizar por direitos sociais, a resposta veio com repressão. O auge foi a ditadura militar (1964–1985), apoiada por setores conservadores e empresariais, que perseguiu, censurou e torturou, além de aprofundar a concentração de renda.
A esquerda no poder: três presidentes em toda a história
Em toda a história republicana, apenas três presidentes de esquerda chegaram ao Planalto:
– João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964.
– Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002, reeleito em 2006 e novamente em 2022.
– Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014, até ser derrubada em 2016 por um impeachment sem crime de responsabilidade.
Três presidentes de esquerda em mais de um século de República. Mesmo assim, a extrema-direita tenta jogar nas costas desses governos as mazelas acumuladas em séculos de conservadorismo e desigualdade estrutural.
Direitos sociais: fruto da luta popular e da pressão progressista
Os direitos trabalhistas e sociais do Brasil não caíram do céu. Foram conquistas arrancadas com pressão popular. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), de 1943, surgiu após décadas de luta sindical. A partir daí vieram direitos como carteira assinada, jornada de oito horas, férias e 13º salário.
Já no século XXI, as maiores transformações sociais do país ocorreram em governos de esquerda:
– O Bolsa Família tirou 36 milhões de pessoas da extrema pobreza, segundo dados da FAO e Banco Mundial.
– O Minha Casa Minha Vida entregou mais de 4 milhões de moradias entre 2009 e 2016, beneficiando famílias de baixa renda.
– O Prouni e as cotas raciais democratizaram o acesso à universidade, permitindo que milhões de jovens negros e pobres chegassem ao ensino superior.
– A criação de Institutos Federais e a expansão das universidades federais levaram ensino técnico e superior para o interior do país, reduzindo desigualdades regionais históricas.
Comparativos econômicos: dados que desmontam narrativas
Nos anos 2000, sob Lula e Dilma, o Brasil viveu um período de crescimento com inclusão social:
– O PIB cresceu em média 4% ao ano entre 2004 e 2010, acima da média mundial.
– O salário mínimo teve ganho real de mais de 70% entre 2003 e 2014.
– O índice de Gini, que mede desigualdade, caiu de 0,58 em 2003 para 0,51 em 2014.
– O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, feito inédito na história nacional.
Em contrapartida, os governos conservadores anteriores mantiveram altos níveis de desigualdade, arrocho salarial e ausência de políticas sociais de impacto. Durante a ditadura militar, por exemplo, o PIB crescia, mas a renda ficava concentrada no topo: em 1970, os 10% mais ricos detinham mais de 50% de toda a renda nacional, enquanto a pobreza crescia nas periferias.
A herança da direita: privilégios e desigualdade
Enquanto a esquerda foi responsável por conquistas sociais concretas, a direita manteve seu papel histórico de garantir privilégios da elite. Foram séculos de concentração de renda, exploração da mão de obra e abandono da maioria da população. Jogar essa herança nas costas de 18 anos de governos progressistas é mais do que má-fé: é manipulação política.
A verdade que incomoda os bolsonaristas
O saldo histórico é claro: foi a esquerda quem colocou o povo no orçamento, reduziu a desigualdade e promoveu inclusão social. A direita, por outro lado, governou o país por mais de cinco séculos e deixou como legado a exclusão, a exploração e o atraso.
Essa é a história que o “pobre de direita” precisa conhecer para não repetir os memes de WhatsApp que tentam reescrever a realidade brasileira.

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