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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

No dia da independência, o bolsonarismo mostrou mais uma vez sua vocação para a submissão: aplaudir a bandeira estrangeira enquanto rebaixa o Brasil.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O 7 de Setembro deveria ser uma data de afirmação nacional. Foi nesse dia, em 1822, que o Brasil rompeu formalmente os laços de colônia com Portugal e proclamou sua independência. Mas quase dois séculos depois, os bolsonaristas conseguiram inverter o sentido histórico da data: em vez de celebrar a soberania, transformaram a Avenida Paulista em palco de subserviência a outro país.

Uma bandeira gigantesca dos Estados Unidos foi estendida no coração de São Paulo em meio a manifestações pedindo anistia para golpistas do 8 de janeiro. A cena foi comemorada por Eduardo Bolsonaro nas redes sociais, como se exibir o símbolo de outra nação no dia da independência fosse demonstração de patriotismo. Para qualquer pessoa com o mínimo de noção, era justamente o contrário: a confissão pública de que o bolsonarismo não tem projeto de Brasil, mas de dependência.

Submissão explícita

Não é a primeira vez que o movimento se ajoelha diante dos EUA. Desde 2018, bandeiras norte-americanas e imagens de Donald Trump se tornaram acessórios comuns nas manifestações. Em Brasília, chegaram a pedir “intervenção militar com apoio dos EUA”. Na internet, bolsonaristas exibem camisetas em inglês, vídeos exaltando Trump e discursos que parecem cópia malfeita do trumpismo.

No dia da independência, essa idolatria ficou ainda mais grotesca: balões da Minnie e do Mickey decoravam a Paulista, cartazes em inglês circulavam, e grupos exibiam camisetas estampando “1964”, em apologia ao golpe militar. Não era patriotismo. Era carnaval de submissão.

A farsa do patriotismo

É justamente esse o ponto: o bolsonarismo se vende como movimento patriótico, mas repudia os próprios símbolos nacionais. A bandeira verde e amarela, sequestrada por eles, não é usada para afirmar a soberania, mas como adereço de protesto vazio. Quando precisam mostrar de quem são vassalos de verdade, recorrem à bandeira dos EUA.

A contradição é gritante: enquanto dizem defender a independência e a pátria, celebram outro país em pleno 7 de Setembro. O recado é claro — para eles, Brasil independente é apenas discurso. Na prática, a ideia de nação soberana é trocada pela vassalagem a Washington.

O contraste com a realidade

Esse espetáculo de servilismo fica ainda mais constrangedor quando lembramos que o Brasil tem motivos de sobra para se orgulhar de si mesmo. É a 9ª maior economia do planeta, potência agrícola, energética e cultural. É dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo (o pré-sal), tem a Embraer como líder global em aviação regional e criou programas sociais — como o Bolsa Família — reconhecidos pela ONU e copiados internacionalmente.

Foi graças a políticas nacionais que o Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, que milhões de famílias conquistaram a casa própria e que jovens de periferia entraram nas universidades pela primeira vez. Nada disso precisou de aval estrangeiro. Foi fruto de projetos feitos aqui, no Brasil, para os brasileiros.

Mas, em vez de celebrar esses feitos, os bolsonaristas preferem se ajoelhar e exibir bandeiras estrangeiras. É o retrato mais fiel do que Nelson Rodrigues chamou de complexo de vira-lata: a incapacidade de reconhecer valor em si mesmo e a necessidade de buscar validação lá fora.

O negacionismo como marca do bolsonarismo

Esse mesmo desprezo pelo Brasil apareceu de forma cruel na pandemia. Enquanto o mundo inteiro corria atrás de vacinas e medidas de proteção, Bolsonaro dizia que a Covid era “gripezinha” e zombava das vítimas. Recusou ofertas de vacinas, sabotou o Instituto Butantan e espalhou mentiras sobre imunização. O resultado foi trágico: mais de 700 mil mortos e milhares de vidas que poderiam ter sido salvas.

Não foi ignorância, foi estratégia. O negacionismo virou arma política para mobilizar sua base, espalhando fake news contra a ciência, atacando médicos, universidades e o próprio SUS. A pandemia mostrou que, para o bolsonarismo, a vida do povo é descartável quando o objetivo é alimentar a máquina de ódio.

O inimigo é interno

Enquanto atacam o STF, pedem anistia para golpistas e desfilam com símbolos estrangeiros, bolsonaristas confirmam aquilo que a maioria já percebeu: não estão preocupados com a pátria, mas em defender privilégios e interesses de grupos que sempre sonharam com um Brasil submisso.

A independência de 1822, conquistada contra uma metrópole, é aviltada em 2025 por um movimento que sonha em transformar o país em quintal dos EUA. E o negacionismo na pandemia provou: quando mais precisávamos de governo, eles entregaram morte, mentira e descaso.

A verdade que dói nos “patriotas”

Patriotismo de verdade é defender soberania, democracia, ciência, direitos sociais e orgulho nacional. O resto é farsa. E, como vimos na Paulista, a farsa bolsonarista desfila sem vergonha: carregando bandeiras de outro país e mentindo para o povo que dizem amar.

É burrice travestida de patriotismo.


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