
Tentando se passar por alternativa para 2026, Wellington Fagundes esquece que o povo tem memória: de Sanguessuga a caixa dois, sua ficha não se apaga
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
À medida que a eleição de 2026 se aproxima, velhos nomes tentam ressurgir com roupas novas. Um deles é o senador Wellington Fagundes (PL-MT), aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, que agora tenta vender-se como alternativa de “experiência e articulação” para o governo de Mato Grosso. Mas a biografia do senador não cabe em um panfleto de campanha: ela carrega cicatrizes profundas de escândalos que a população não esquece, por mais que ele tente maquiar.
O caso mais rumoroso é a Operação Sanguessuga, a famosa máfia das ambulâncias que estourou em 2006 e revelou um esquema de superfaturamento na saúde. Fagundes virou réu no STF em 2018 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de embolsar ao menos R$ 100 mil em propinas. Com a mudança no foro privilegiado, o processo foi enviado para a Justiça Federal em Mato Grosso, onde segue sem sentença. Ou seja, a nuvem de suspeita nunca dissipou.
O senador também foi citado em delações da Operação Ararath, nas revelações do ex-governador Silval Barbosa sobre pressão e pedidos de repasses ligados a contratos do DNIT. Seu nome ainda apareceu nas delações da JBS, que mencionaram cerca de R$ 300 mil repassados para sua campanha em 2014. E, para completar, foi mencionado no inquérito dos Portos que cercava Michel Temer em 2018. Sempre sob os refletores, sempre escapando do banco dos réus, mas jamais ileso no noticiário.
Apesar desse prontuário, Fagundes sobreviveu. Em 2021, teve inquérito eleitoral arquivado no TRE-MT. Em 2024, foi questionado sobre impulsionamento de propaganda. E em 2025, voltou a dar as caras, desta vez como porta-voz da anistia a Bolsonaro, defendendo o “perdão” a crimes contra a democracia. O senador, que pede ao eleitor que “esqueça seu passado”, se agarra ao discurso de união entre PL e MDB, mas o cheiro de mofo político permanece.
A tentativa de reposicionamento pode até enganar incautos, mas em política o passado é um fantasma que não se apaga. Fagundes circula, aperta mãos, posa de articulador, mas carrega a lembrança de esquemas que sangraram os cofres públicos e mancharam a confiança do povo. Quando ele fala em renovação, a pergunta inevitável é: renovação de quê?
O eleitor pode até se preocupar com o presente e o futuro, mas não é obrigado a esquecer quem já foi parte da engrenagem que tantos prejuízos causou. E no palanque de 2026, quando Wellington Fagundes subir para discursar como “alternativa”, é bom lembrar que não é de hoje que ele aparece nas páginas policiais e não nas páginas de esperança.

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