
Quando a hipocrisia cai do salto, sobra a vergonha estampada no noticiário
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A cena é de enredo cinematográfico, mas aconteceu em Mato Grosso. O vereador licenciado e então secretário de Saúde de Curvelândia, Roberto Serenini (PL), foi preso em operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (Denarc), acusado de transformar um micro-ônibus da saúde — destinado a transportar pacientes para Cuiabá — em veículo oficial do tráfico. Dentro do bagageiro, a polícia encontrou 52 quilos de cocaína cuidadosamente escondidos em caixas de supermercado.
A investigação começou ainda em agosto, quando denúncias anônimas alertaram que o veículo público poderia estar carregando mais do que doentes. No Trevo do Lagarto, em Várzea Grande, policiais interceptaram o ônibus e confirmaram o flagrante: dezenas de tabletes da droga ocupavam o espaço que deveria guardar apenas malas e utensílios dos passageiros. O laudo pericial confirmou a pureza da cocaína.
O vereador no centro do esquema
As apurações mostraram que Serenini não era um figurante. Ele teria ordenado a troca do veículo poucas horas antes da viagem e feito diversas ligações para o motorista na véspera da apreensão. Testemunhas ainda relataram sua presença na unidade de saúde do município na noite anterior ao embarque, como maestro regendo a logística do crime.
Para piorar, denúncias indicam que o secretário tentou apagar imagens de câmeras de segurança que mostravam a movimentação do ônibus. O equipamento foi apreendido e periciado, e a análise inicial confirmou que parte dos registros foi deletada.
Queda anunciada
Diante do escândalo, o prefeito de Curvelândia correu para exonerar Serenini do cargo, mas o estrago já estava feito: o ônibus que deveria simbolizar cuidado virou manchete de descaso e escárnio. O delegado responsável pelo caso, Ronaldo Binoti Filho, foi direto ao ponto: criminosos infiltrados no serviço público representam um risco duplo, porque roubam a confiança da população e transformam serviços essenciais em negócios sujos.
A farsa dos moralistas
O caso desmonta, mais uma vez, o discurso dos falsos paladinos da moralidade. Enquanto pregam “família, Deus e pátria”, escondem cocaína em transporte de pacientes. Enquanto acusam adversários de corrupção, usam a máquina pública para alimentar o submundo do tráfico. São os mesmos que apontam o dedo em Brasília, mas com a outra mão empurram caixas de pó para dentro de um ônibus oficial.
A investigação segue para identificar outros envolvidos, mas o recado já está dado: a moralidade seletiva dos que se dizem patriotas não resiste à primeira batida policial.

Deixe um comentário