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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Denúncia do povo Munduruku e apoio do MAB-MT revelam que o problema não é só da UHE Colíder, mas de todo o sistema de barragens no rio. Quando uma falha acontece, a reação em cadeia atinge comunidades inteiras.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O povo Munduruku, por meio da associação DACE, voltou a levantar a voz contra os perigos que rondam o Baixo Rio Teles Pires. Desta vez, o foco é a UHE Colíder, onde falhas graves nos drenos da barragem obrigaram a Eletrobras a elevar o nível de segurança para “atenção” e ativar o Plano de Ação Emergencial (PAE).

A situação gerou o rebaixamento emergencial do reservatório em cerca de 17 metros, provocando mortandade de peixes, prejuízos ao turismo e um clima de incerteza permanente. Para as comunidades indígenas, ribeirinhas e camponesas, isso é mais do que um alerta técnico: é uma ameaça direta à vida. Como reforçam os Munduruku, “o rio é um só”. Se há risco em Colíder, todas as comunidades a jusante estão expostas.

🏳️ Nesse contexto, o Movimento dos Atingidos por Barragens em Mato Grosso (MAB-MT) tem papel fundamental. O movimento organiza, denuncia e fortalece a luta dos atingidos, reafirmando que água e energia não são mercadorias. É o MAB que dá visibilidade às violações, cobra respostas dos governos e exige que as empresas assumam responsabilidade pelos impactos sociais, ambientais e culturais deixados em nome do lucro.

O povo Munduruku denuncia que a operação da barragem ocorre sem comunicação direta e transparente com as aldeias. As famílias vivem sob pressão psicológica: não sabem se vão acordar com suas casas debaixo d’água ou se perderão seu alimento. Essa insegurança se soma à falta de informações confiáveis, já que a maioria dos avisos chega apenas por mensagens de WhatsApp, sem garantias de veracidade.

Além disso, as compensações oferecidas pelas empresas são insuficientes frente à dimensão dos impactos: peixes mortos, águas turvas, reprodução comprometida de quelônios e destruição do modo de vida tradicional. A cada abertura de comportas, o que se vê é a vida das comunidades sendo sacrificada.

A DACE e o MAB-MT exigem:

  • Inclusão imediata das aldeias no Plano de Ação Emergencial (PAE);
  • Comunicação oficial, clara e diária sobre a situação da usina;
  • Respeito ao direito à consulta prévia, livre e informada;
  • Ações efetivas do Governo Federal para proteger vidas e territórios;
  • Medidas de reparação que incluam segurança alimentar e proteção da biodiversidade.

Enquanto as empresas seguem lucrando, o povo Munduruku e o MAB-MT reafirmam: não aceitarão viver sob ameaça constante em um rio transformado em mercadoria. O Teles Pires é fonte de vida, não de morte.

“Seguiremos em mobilização, exigindo respostas concretas e imediatas. Não permitiremos que nossas futuras gerações sejam obrigadas a viver em um rio morto e em um território devastado”, afirma a associação.


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