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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Servidores encaram o abandono em meio a escândalos milionários na gestão da saúde; trabalhadores não podem ser penalizados pela incompetência da má administração.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Os técnicos de enfermagem da UPA de Sinop denunciam mais um capítulo do descaso da administração municipal. Entre os dias 23 de outubro e 23 de novembro de 2023, período em que a Prefeitura assumiu a gestão direta da unidade após o bloqueio judicial do ISSRV (Instituto Social Saúde Resgate à Vida), o Ministério da Saúde enviou recursos para garantir o pagamento de um abono salarial aos profissionais de saúde. O valor incluía ainda dois vales-alimentação, um de R$ 290 e outro de R$ 220, compondo parte da remuneração dos técnicos.

O problema é que, mesmo com os recursos garantidos e já sob controle da Prefeitura, os trabalhadores não receberam nada. A Justiça determinou que os valores bloqueados do ISSRV fossem devolvidos ao município, mas os servidores ficaram a ver navios. “Não há dúvida nenhuma: o recurso foi enviado para garantir o pagamento do abono. O problema não é falta de verba, é falta de vontade da administração em reconhecer o direito dos técnicos”, relatou um profissional da unidade.

A indignação é crescente: os trabalhadores não podem ser penalizados pela incompetência e má gestão da Prefeitura. Se houve bloqueio judicial, se houve falhas nos contratos emergenciais e na condução da saúde pública, isso não é culpa dos técnicos de enfermagem. Eles cumprem seu papel na linha de frente, atendendo a população em condições muitas vezes precárias, e têm direito de receber o que já foi garantido pelo Ministério da Saúde.

O caso ainda expõe os escândalos que marcaram a passagem do ISSRV pela saúde de Sinop:

  • O instituto recebeu mais de R$ 115 milhões da Prefeitura ao longo de quase quatro anos de contrato, valor suficiente para construir três novos hospitais.
  • Três dias antes da rescisão contratual em 2022, a Prefeitura pagou uma “indenização” de R$ 3,5 milhões ao ISSRV, sob justificativa contestada.
  • O ISSRV foi alvo de denúncias trabalhistas, como salários reduzidos, ausência de registro em carteira e pagamentos informais a profissionais.
  • Em 2022, a Câmara de Vereadores instaurou uma CPI para investigar as irregularidades.
  • Em 2023, o Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) abriu investigação após denúncias de pagamentos irregulares que somam mais de R$ 20 milhões sem respaldo contratual.

Enquanto milhões foram desviados e contratos duvidosos beneficiaram empresas, os técnicos da UPA seguem sem receber direitos básicos. O contraste é revoltante: sobra dinheiro para contratos suspeitos, mas falta compromisso com quem sustenta a saúde pública diariamente.

Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura não havia se manifestado sobre quando pretende realizar o pagamento do abono e dos vales pendentes. A categoria promete não recuar e cobra providências imediatas.


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