
Eles sabem que, se a Justiça de fato abrir investigações sérias sobre as Emendas Pix, será preciso construir um presídio só para caber tanto político. Estamos diante da maior roubalheira legalizada da história do parlamento brasileiro — e agora querem vestir a fantasia de “prerrogativas” para se protegerem.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
A Câmara dos Deputados vota hoje (27) a chamada PEC da Blindagem, uma proposta que amplia a imunidade de deputados e senadores, restringindo prisões, dificultando investigações e submetendo medidas cautelares ao aval do próprio Legislativo. O discurso oficial é de “respeito às prerrogativas”, mas a pressa revela o verdadeiro medo: o fantasma da Emenda Pix, que já movimentou bilhões sem transparência e pode levar dezenas de parlamentares para trás das grades.
A PEC limita prisões a crimes inafiançáveis, como racismo ou terrorismo, mas esvazia o alcance de investigações contra políticos, exigindo autorização do Congresso até mesmo para abertura de inquéritos. Na prática, cria uma muralha para barrar operações policiais e judiciais que atinjam deputados e senadores.
Não é coincidência que essa proposta surja justamente no momento em que o Supremo Tribunal Federal determinou que a Polícia Federal investigue quase R$ 700 milhões de emendas Pix sem plano de trabalho identificado. O mecanismo virou sinônimo de negociatas obscuras, onde o dinheiro público escorreu por debaixo da porta do controle social e fortaleceu esquemas de compra de apoio político.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nega que se trate de retaliação ao Judiciário. Diz que é “apenas um debate legítimo sobre prerrogativas”. Mas, na realidade, o que se vê é uma elite política desesperada para não acabar no banco dos réus.
Blindar-se contra a lei virou prioridade máxima de um parlamento que deveria legislar para o povo, mas que prefere criar mecanismos de autoproteção. O brasileiro, que paga a conta dos desvios, assiste a mais uma cena do teatro da impunidade.

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