
Entre a incompetência de governar Cuiabá e a idolatria a Bolsonaro, Brunini prefere atacar a Universidade Federal de Mato Grosso para esconder o fracasso da extrema direita na educação
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), decidiu mais uma vez ser manchete não por obra, gestão ou inovação, mas por sua boca suja. Durante um discurso, afirmou que a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) “é uma bosta”, atacando de forma irresponsável uma instituição que há mais de cinco décadas forma profissionais, produz ciência, gera pesquisa e promove inclusão social no estado.
A frase não é apenas vulgar — é covarde e hipócrita. Vinda de um prefeito que não conseguiu até hoje resolver problemas básicos da capital do agronegócio, soa como uma tentativa desesperada de criar polêmica para encobrir sua própria incapacidade de governar.
A retórica do ódio como cortina de fumaça
Enquanto Cuiabá enfrenta ruas esburacadas, transporte coletivo precário, saúde pública em colapso e escolas municipais abandonadas, Abílio prefere mirar sua artilharia contra a UFMT. É a típica estratégia da extrema direita: culpar professores, universidades e estudantes para desviar o foco de uma gestão medíocre.
Chamar a UFMT de “bosta” é fácil. Difícil é ter coragem de olhar para dentro da própria prefeitura e assumir a responsabilidade de garantir educação básica de qualidade para as crianças cuiabanas. Difícil é parar de gastar energia em lives e reels para, de fato, apresentar soluções concretas.
A hipocrisia bolsonarista em Mato Grosso
Brunini diz que as universidades públicas são ocupadas, em sua maioria, por estudantes que vieram de escolas privadas. Mas “esquece” de dizer que foram justamente os governos progressistas — aqueles que ele e sua turma odeiam — que criaram as políticas de cotas raciais e sociais que hoje garantem a entrada de alunos pobres, negros, indígenas e oriundos da rede pública.
Seu ídolo, Jair Bolsonaro, governou o país por quatro anos. E o que fez pela educação? Nada. Cortou bolsas da Capes, desmontou o Fies, perseguiu reitores, reduziu verbas das universidades e deixou as escolas à míngua.
E a hipocrisia não para por aí. Recentemente, a Câmara aprovou um projeto de lei que retira R$ 30 bilhões dos programas sociais para sanear dívidas do agronegócio, incluindo grandes produtores que vivem de benesses públicas. Ao mesmo tempo, o governador Mauro Mendes garante isenções fiscais de mais de R$ 10 bilhões por ano para o mesmo setor. Ou seja, quando é para socorrer fazendeiro milionário, o dinheiro aparece. Quando é para investir na educação pública, aí a narrativa é de que “não há recursos”. Sempre o mesmo discurso cínico: dinheiro para o agro, migalhas para a escola.
Vale destacar ainda que, enquanto deputado federal, Abílio Brunini não deixou nenhum legado concreto para a UFMT — não há registro de emendas, propostas ou discursos que evidenciem qualquer esforço em benefício da universidade. É triste ver que o prefeito só critica quando não construiu nada antes. Fala grosso contra uma instituição que ele nunca quis fortalecer — isso sim é hipocrisia em sua forma mais crua.
UFMT: patrimônio do povo, não inimiga da cidade
A UFMT pode ter problemas — e os tem, fruto principalmente de décadas de cortes orçamentários e escolhas políticas que sempre colocaram a educação em segundo plano. Mas nem de longe merece ser reduzida a um palavrão por um prefeito que nada construiu. A universidade é responsável por formar médicos, engenheiros, advogados, professores, jornalistas, pesquisadores, além de oferecer serviços gratuitos à comunidade, projetos de extensão e pesquisa aplicada ao desenvolvimento de Mato Grosso.
Chamar a UFMT de “bosta” é um insulto direto às milhares de famílias que confiam na instituição para transformar suas vidas. É cuspir no prato onde se formaram profissionais que hoje sustentam o desenvolvimento do estado — inclusive na saúde e na agricultura que tanto o bolsonarismo gosta de ostentar como vitrine.
Conclusão: o prefeito da mediocridade
Abílio Brunini é, no fim das contas, o prefeito da mediocridade. Prefere viver de slogans, memes e declarações grotescas do que encarar a realidade da cidade que deveria administrar. Seu ataque à UFMT não é apenas desrespeito: é a prova de que ele e sua turma têm ódio ao conhecimento, à ciência e ao pensamento crítico, porque sabem que uma população instruída não aceita ser massa de manobra.
Cuiabá não precisa de um prefeito que ataca universidades. Precisa de alguém que entenda que sem educação de qualidade não há futuro. Mas, para isso, Brunini teria que largar a demagogia bolsonarista e finalmente trabalhar. E aí já seria pedir demais.

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