A Voz do Povo em Tela
A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Terrivelmente bolsonarista, a ex-ministra que pregava valores cristãos agora vê sua gestão marcada por contratos suspeitos e investigações milionárias

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 19 de agosto de 2025, a Operação Kibali, que apura crimes de peculato, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro em contratos firmados durante a gestão da ex-senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos). Os contratos, no valor de R$ 3,8 milhões, foram celebrados pelo então Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos com a justificativa de oferecer cursos de capacitação para mulheres e adolescentes.

Na prática, segundo a investigação em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), não há comprovação de que os cursos tenham sido realizados. Foram detectadas fraudes na celebração de dois termos de fomento com o Instituto de Desenvolvimento Social e Humano do Brasil (IDSH Brasil), entidade ligada a um ex-assessor do ex-deputado Professor Joziel (Patriota), responsável pelas emendas que abasteceram o esquema.

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em residências na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O nome da operação — “Kibali” — faz referência a uma das maiores minas de ouro do mundo, numa clara alusão às emendas parlamentares que viraram fonte inesgotável de riqueza para alguns poucos privilegiados.

Embora a atual senadora não seja alvo direto da operação, a bomba estoura em sua gestão, que se vendia como “moralista, cristã e defensora da família”. Curioso, não? A mesma Damares que falava de Jesus na goiabeira, que atacava professores, artistas e militantes sociais em nome de uma suposta moral divina, agora vê sua pasta carimbada por suspeitas de corrupção milionária.

E não para por aí. A hipocrisia ganha contornos ainda mais escandalosos quando lembramos que até parentes próximos da ex-ministra foram flagrados em episódios constrangedores, como o caso das drogas encontradas em avião militar ligado ao seu círculo familiar. Para os “defensores da moral e dos bons costumes”, tudo parece permitido quando a fonte é dinheiro público ou quando se trata de blindar aliados.

O caso da Operação Kibali revela mais uma vez o que sempre se escondeu por trás do discurso de “valores” e “família”: um projeto de poder sustentado na fé cega de seguidores e no uso da máquina pública para alimentar esquemas e privilégios. Enquanto isso, mulheres e adolescentes que deveriam ser beneficiadas pelos cursos seguem invisíveis, sem capacitação e sem futuro garantido.

Moralismo seletivo tem prazo de validade. E, pelo visto, o da terrivelmente bolsonarista Damares Alves já venceu faz tempo.


Descubra mais sobre A Voz do Povo em Tela

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Posted in

Deixe um comentário

Descubra mais sobre A Voz do Povo em Tela

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue lendo