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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Enquanto o povo paga a conta da violência, dos cortes sociais e do abandono, São Paulo afunda no maior escândalo de corrupção tributária da sua história — mas a grande mídia finge que não vê.

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Imagine abrir a Veja, a Folha ou o Estadão e dar de cara com uma capa estampando ratos, dólares e o rosto do governador Tarcísio de Freitas. Difícil, né? Pois é. Essa cena só existe em montagens e na imaginação de quem espera da imprensa o mesmo rigor que sempre destinou a governos populares. Quando o escândalo estoura dentro do Palácio dos Bandeirantes, a lupa jornalística some.

E não estamos falando de qualquer irregularidade. A Operação Ícaro, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, revelou um esquema bilionário de fraudes em créditos de ICMS, que favorecia grandes empresas em troca de propina milionária. O caso envolve auditores fiscais da Secretaria da Fazenda, empresários de peso como o dono da Ultrafarma e executivos da Fast Shop, além de um emaranhado de empresas de fachada e até uso de criptomoedas. O rombo estimado? Mais de R$ 1 bilhão nos cofres públicos.


Como funcionava a engrenagem da propina

Segundo o Ministério Público, o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto coordenava a operação: acelerava concessões de créditos, inflava valores de ressarcimentos e recebia pagamentos “por fora”. Para lavar o dinheiro, usava a Smart Tax Consultoria, empresa registrada no nome de sua própria mãe.

Os números não deixam dúvidas sobre a farra: em apenas dois anos, o patrimônio declarado da mãe do auditor saltou de R$ 411 mil para quase R$ 2 bilhões. É quase cômico, se não fosse trágico.

As empresas beneficiadas, como Ultrafarma e Fast Shop, usavam diferentes mecanismos de pagamento de propina — de contratos de fachada a transferências em criptomoedas. Uma teia sofisticada, mas que só prospera com uma certeza: a de que o sistema de fiscalização do Estado estava convenientemente cego.


O papel (ou a omissão conveniente) do governo Tarcísio

E é aqui que entra o governador. Tarcísio de Freitas foi rápido em dizer que tudo começou “antes da sua gestão”, como se 2023 tivesse zerado os pecados do passado. Mas os fatos mostram outra realidade:

  • Os auditores envolvidos continuaram em cargos estratégicos sob sua administração.
  • Os mecanismos de controle interno falharam de forma escandalosa, mesmo após o governador prometer “rigor técnico” e “modernização da gestão”.
  • As medidas só vieram depois da bomba estourar: criação às pressas de grupos de trabalho, revisão de processos e discursos duros para a plateia, mas nenhum avanço real sobre a responsabilização política.

Tarcísio pode até não aparecer na lista dos investigados — mas é impossível fingir que não há responsabilidade. Quem governa responde não só pelo que faz, mas também pelo que deixa acontecer.


A seletividade da mídia: silêncio ensurdecedor

Enquanto o caso derruba empresários, prende auditores e expõe cifras bilionárias, a grande mídia se comporta como cúmplice silenciosa. Manchetes discretas, notas de rodapé, reportagens mornas — nada que arranhe a blindagem do governador queridinho do bolsonarismo e do mercado financeiro.

É o mesmo padrão de sempre: quando a corrupção está associada à direita paulista, a cobertura é contida, técnica, burocrática. Mas quando se trata de governos progressistas, a histeria midiática se encarrega de fabricar capas, escândalos diários e linchamentos públicos.

Se fosse um governo do PT envolvido, não restaria dúvida: haveria capas e mais capas, plantões ao vivo, editoriais inflamados e indignação seletiva.


Corrupção estrutural contra o povo

Enquanto bilionários recebem créditos inflados de ICMS e servidores acumulam fortunas de fachada, o povo paulista enfrenta:

  • cortes no orçamento da educação (com a PEC que reduziu de 30% para 25% a aplicação mínima);
  • aumento da violência policial, com recordes de letalidade e jovens mortos nas periferias;
  • redução de investimentos em programas sociais e combate a queimadas;
  • e a velha prioridade aos interesses dos grandes empresários, sempre blindados.

Em resumo: quem governa para bilionário e fecha os olhos para a corrupção, governa contra o povo.


Conclusão: o escândalo que precisa ser lembrado

A Operação Ícaro é mais do que um caso de corrupção: é um retrato do Estado capturado pelos interesses de poucos, com a conivência ou a omissão de quem deveria zelar pelo bem público. Tarcísio pode não ter assinado nenhum despacho fraudulento, mas é ele quem sustenta, nomeia e blinda a máquina que permitiu o maior escândalo tributário da história paulista.

E se não veremos essa denúncia nas capas das revistas de sempre, veremos aqui, onde a verdade não tem dono e a memória não é seletiva.


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