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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Em Sinop, em 10 anos dobrou o número de famílias no programa — e no Brasil, quase 1 em cada 4 cidadãos depende do Bolsa Família para sobreviver

Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O calendário de pagamentos do Bolsa Família para agosto de 2025 já está definido e, mais uma vez, revela o Brasil das contradições. Os repasses começam em 18 de agosto e seguem até o dia 29, conforme o final do Número de Identificação Social (NIS).

Confira o calendário completo:

  • NIS final 1: 18 de agosto
  • NIS final 2: 19 de agosto
  • NIS final 3: 20 de agosto
  • NIS final 4: 21 de agosto
  • NIS final 5: 22 de agosto
  • NIS final 6: 25 de agosto
  • NIS final 7: 26 de agosto
  • NIS final 8: 27 de agosto
  • NIS final 9: 28 de agosto
  • NIS final 0: 29 de agosto

As parcelas ficam disponíveis para saque por até 120 dias após a liberação.


O Brasil que ainda precisa do Bolsa Família

Em agosto de 2025, o programa alcança 19,19 milhões de famílias, o que significa cerca de 50 milhões de pessoas vivendo em lares beneficiários. O investimento federal é de R$ 12,86 bilhões, com valor médio de R$ 671,54 por família.

Ou seja, praticamente um em cada quatro brasileiros depende do Bolsa Família para sobreviver — um retrato cruel da desigualdade em uma das maiores economias do mundo.


Mato Grosso: riqueza concentrada, miséria espalhada

No estado de Mato Grosso, vitrine do agronegócio nacional, 225 mil famílias vão receber o benefício em agosto. Considerando a média nacional de 2,6 pessoas por família, são aproximadamente 586 mil pessoas beneficiadas no estado. Isso representa 15,3% da população mato-grossense (estimada em 3,83 milhões de habitantes).

E aqui está o paradoxo: Mato Grosso é o 10º maior PIB do Brasil, com uma economia que supera R$ 233 bilhões, e possui o 4º maior PIB per capita do país. O estado segue batendo recordes de exportação de soja, milho e algodão, mas mantém mais de meio milhão de pessoas dependendo de um benefício social para não cair na miséria.

Enquanto alguns poucos acumulam fortunas com a exportação de grãos, milhares de famílias ainda contam com pouco mais de R$ 20 por dia.


Sinop: coração do agro, mas não imune à fome

Em Sinop, cidade símbolo do agronegócio mato-grossense, os números também impressionam.

  • Famílias beneficiadas em abril de 2025: 5.264 famílias receberam o Bolsa Família, somando mais de R$ 3,3 milhões em repasses. Isso representa aproximadamente 13,7 mil pessoas beneficiadas.
  • Famílias inscritas no CadÚnico: em 2024, cerca de 26,6 mil famílias estavam registradas no município, revelando o tamanho da vulnerabilidade social local.

E o comparativo histórico é gritante: em 2015, apenas 2.713 famílias recebiam o Bolsa Família em Sinop. Dez anos depois, o número dobrou. Ou seja, mesmo com todo o crescimento da cidade e o fortalecimento do agronegócio, a pobreza também cresceu — mostrando que a riqueza não chega ao prato do trabalhador.


A contradição exposta

Este é o retrato de um Brasil desigual:

  • Um dos maiores produtores de alimentos do mundo;
  • Um estado com PIB bilionário e entre os 10 maiores do país;
  • Uma cidade polo do agronegócio;
  • Mas com milhares de famílias que ainda dependem do Bolsa Família para sobreviver.

Enquanto o bolsonarismo ataca as políticas sociais e insiste em demonizar programas como o Bolsa Família, a realidade escancara sua importância. Sem o programa, o número de brasileiros em situação de extrema pobreza seria ainda maior.

Mato Grosso é a prova viva do paradoxo nacional: riqueza na mão de poucos, pobreza no prato de muitos.


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