
O assassinato de um gari em BH escancara a face hipócrita dos falsos moralistas da extrema direita
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O Brasil acordou nesta segunda (11) com mais uma tragédia anunciada: Laudemir de Souza Fernandes, gari em Belo Horizonte, foi morto a tiros após uma discussão de trânsito. O acusado, Renê da Silva Nogueira Júnior, empresário e diretor de uma rede de alimentos, teria se irritado porque um caminhão de coleta estava à sua frente. Ameaçou a motorista, foi confrontado por outros garis que defendiam a colega, e decidiu “resolver” a situação como manda a cartilha de um certo segmento político: pegou a arma e atirou. Depois? Foi malhar numa academia de luxo. O corpo ainda quente, e o suposto cristão já exercitando o bíceps da indiferença.
O caso foi levado ao Plenário da Câmara pelo deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), que não poupou palavras: “Um empresário mata um gari e depois vai para a academia. É o auge da indiferença à vida e à dignidade humana. É o retrato de um país elitista, desigual, onde algumas vidas valem mais que outras. E o detalhe: o empresário se reivindica cristão”.
A pergunta que ecoa é simples, mas incômoda: que cristianismo é esse? O que troca o Sermão da Montanha pelo manual de tiro, que prega mais ódio que amor, mais Bolsonaro que Jesus, mais arma que paz? Esse tipo de “fé” é o combustível ideológico que normaliza a violência contra pobres e trabalhadores, enquanto os mesmos que batem no peito dizendo defender a “família” fecham os olhos para a vida que eles mesmos tiram.
Não se trata de um caso isolado. É a consequência direta de anos de discursos que glorificam armas, demonizam a empatia e tratam trabalhadores como obstáculos. É a política da bala, travestida de moralismo cristão, que ensina que a vida do gari vale menos que o treino do empresário. A lógica é clara: se não for rico, branco e alinhado ideologicamente, você é descartável.
Os falsos moralistas da extrema direita — aqueles que se ajoelham diante de púlpitos e palanques, mas levantam para defender assassinatos e justificar brutalidades — precisam ser chamados pelo nome que merecem: hipócritas perigosos. O Brasil não precisa de mais “heróis” armados que matam em nome de uma fé deturpada. Precisa de justiça, igualdade e respeito à vida, independentemente de cor, profissão ou conta bancária.

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