
Os mesmos que fingem indignação esqueceram que o líder deles já disse “pintou um clima” com adolescentes e barraram projeto que tornava a pedofilia crime hediondo
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
O vídeo do influenciador Felca, publicado nas redes sociais, foi mais do que um desabafo: foi um serviço público. Com coragem, responsabilidade e compromisso com a verdade, ele expôs o submundo nojento que, há anos, se espalha impunemente pela internet — um espaço onde crianças e adolescentes são explorados sexualmente, onde criminosos vendem imagens de menores em grupos fechados, e onde plataformas bilionárias, as chamadas Big Techs, continuam lucrando com cada clique e visualização.
A repercussão foi imediata. E, como num passe de mágica, os mesmos deputados da extrema direita que sempre ignoraram o problema, que sempre fecharam as portas para as entidades que lutam pela proteção da infância, surgiram nas redes e na tribuna da Câmara com discursos inflamados e projetos “relâmpago”. Só esqueceram de avisar que esses projetos são, em sua maioria, completamente inúteis — escritos não para resolver o problema, mas para transformar a pauta em palanque político.
Café para as Big Techs, porta fechada para as vítimas
A hipocrisia é escandalosa. Organizações sérias, que há anos alertam para a escalada da exploração sexual infantil nas redes, batem à porta da Câmara todo semestre, e quase nunca são recebidas pelos parlamentares da direita. No entanto, basta uma ligação de representantes das Big Techs e o cafezinho está garantido dentro dos gabinetes, com risadas e promessas de “tranquilidade regulatória”. Afinal, ninguém quer mexer no bolso das empresas que faturam bilhões em cima do sofrimento de crianças e adolescentes.
Enquanto isso, influenciadores ganham dinheiro promovendo conteúdo sexualizado com menores de idade; pais vendem fotos das próprias filhas no Telegram; e algoritmos continuam indicando, sem qualquer filtro, material abusivo para quem busca ou consome esse tipo de crime.
Erica Hilton e o tapa de realidade no Parlamento
Foi nesse cenário que a deputada Erica Hilton fez um discurso histórico no plenário da Câmara. Em tom firme, ela perguntou se os nobres parlamentares só “descobriram” o problema depois do vídeo do Felca. Lembrou que as organizações de proteção à infância vêm denunciando essa “terra sem lei” que se tornaram as redes sociais há anos, sem que essa Casa tivesse a coragem de agir. E não parou por aí: expôs a contradição gritante do partido de Jair Bolsonaro — cujo líder teve a desfaçatez de dizer publicamente que “pintou um clima” com adolescentes de 14 e 15 anos — e que, em 2022, barrou o projeto que transformava a pedofilia em crime hediondo.
Hoje, os mesmos que boicotaram a proteção das crianças querem sequestrar a pauta para posar de defensores da moral e dos bons costumes. Falsos moralistas, falsos patriotas, falsos protetores da infância — cuja prática sempre foi obstruir, atrasar ou distorcer qualquer tentativa séria de regulamentar as redes sociais.
Regulamentar não é censura, é proteção
O debate tomou conta de toda a sociedade, e não há mais como virar as costas. Regulamentar as redes sociais não é censura, é garantir segurança digital; é proteger crianças e adolescentes de serem expostos livremente — e muitas vezes com financiamento das próprias plataformas — aos crimes mais bárbaros e hediondos que circulam online.
Erica Hilton foi clara: “Lembraremos das inúmeras vezes em que esses partidos viraram as costas para o tema e denunciaremos ao conjunto da sociedade a ameaça de obstrução de pautas que regulamentam e regularizam as redes sociais no nosso país.”
O vídeo do Felca escancarou o problema e provou que não basta discurso. É preciso enfrentar as Big Techs, é preciso aprovar leis que realmente punam criminosos e protejam as vítimas, é preciso parar de tratar a exploração sexual infantil como instrumento de marketing político.

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