
Enquanto a cidade tem menos de 10 mil habitantes, gestão bolsonarista prioriza o próprio bolso — e vira símbolo de desprezo à realidade popular
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
Menos de oito meses de mandato. População estimada em 9.908 pessoas. E uma canetada que revela o verdadeiro projeto de poder da gestão bolsonarista em Tabaporã (MT): aumentar os próprios salários. O prefeito Carlos Eduardo Borchardt (PL) sancionou, no dia 5 de agosto, a Lei Ordinária nº 1.512/2025, que eleva os subsídios do alto escalão do Executivo Municipal — e escancara as prioridades de quem jurava não precisar nem do salário público para governar.
Segundo a nova lei:
- O prefeito passará a receber R$ 29 mil por mês;
- O vice-prefeito, Fábio Turra, R$ 19 mil;
- E cada secretário municipal, R$ 16 mil mensais.
Tudo isso numa cidade com menos de 10 mil habitantes e orçamento limitado, onde cada centavo público deveria ser tratado com zelo. Mas o que se vê é o oposto: uma verdadeira farra institucionalizada com recursos públicos. E com a bênção da Câmara Municipal.
O escândalo fica ainda mais revoltante quando se olha para o histórico dos protagonistas. Carlos Eduardo Borchardt declarou R$ 136 milhões em patrimônio à Justiça Eleitoral. Seu vice, Fábio Turra, outros R$ 63,7 milhões. Juntos, somam quase R$ 200 milhões declarados. Isso sem contar o que, como sabemos, muitos milionários preferem manter longe dos olhos do público. Durante a campanha, Borchardt chegou a dizer que não precisava de salário. Agora, com o riso afiado e a caneta cheia, mostra que o discurso era só mais uma peça de marketing eleitoral.
E não parou por aí. O artigo 2º da nova lei já abre caminho para aumentos anuais, com base no artigo 37 da Constituição. Já o artigo 3º autoriza até abertura de crédito adicional, se faltar dinheiro — mas só para manter os salários deles, é claro.
Num município pequeno, onde o orçamento municipal não acompanha o apetite da elite política local, é inadmissível que os primeiros atos do governo estejam voltados a beneficiar quem já tem muito. O símbolo dessa gestão não é um projeto de desenvolvimento, mas uma folha de pagamento turbinada.
O prefeito de Tabaporã poderia ter dado o exemplo. Poderia ter recusado o salário, como prometeu. Poderia ter proposto um teto mais racional, mais condizente com a realidade do município. Mas não: preferiu sacramentar uma decisão que escancara o desprezo pela coerência, pela ética e pela população.
Essa atitude não envergonha só Tabaporã — ela mancha o nome de todo o Estado de Mato Grosso. E em 2026, quando vierem com santinho na mão e promessas recicladas nos lábios, a resposta precisa ser direta: o povo não é bobo. Quem governa só pra si, não merece governar ninguém.

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