
Enquanto deputados se colam em cena grotesca no plenário, policial federal confessa que havia grupo armado pronto para impedir posse de Lula — à espera apenas de um “ok” de Bolsonaro
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela
📍 A obstrução bolsonarista no Congresso Nacional nesta semana deixou de ser apenas uma encenação patética com fitas adesivas na boca. Ganhou contornos muito mais graves quando, em paralelo ao circo no plenário, veio à tona um áudio estarrecedor do policial federal Wladimir Matos Soares, ex-integrante de uma equipe de operações especiais, no qual ele revela que havia um plano real de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula em 2023.
“Estávamos prontos para agir armados, com poder de fogo elevado. Esperávamos só o ok do presidente. Só que Bolsonaro deu pra trás”, confessa Wladimir, numa conversa privada divulgada nesta semana.
Segundo ele, o grupo contava com o apoio de “100% da tropa”, e só não executou o plano porque “os generais se venderam ao PT no último minuto”.
A fala de Wladimir não deixa espaço para dúvidas: tratava-se de um plano de ação golpista militar, com apoio de policiais e de setores armados bolsonaristas, que tinham a intenção clara de impedir a posse de Lula por meio da força.
“A gente ia empurrar meio mundo de gente, nós íamos matar meio mundo, tá nem aí já era cara”, afirma, em tom naturalizado, como se planejar um banho de sangue fosse algo corriqueiro.
Em outro trecho, Wladimir lamenta que o então presidente Bolsonaro tenha sido “frouxo” e não tenha dado a ordem para agir:
“O presidente foi traído dentro do Exército. Era só uma canetada. Tinha que ter cortado a cabeça do Alexandre de Moraes ali, quando ele impediu o Ramagem na PF.”
Trata-se de uma admissão explícita de tentativa de golpe, com incitação ao assassinato de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Não por acaso, o nome de Wladimir Matos Soares já circula em investigações da Polícia Federal, especialmente nas frentes que apuram a organização de milícias digitais, as tentativas de golpe de Estado e o esquema de desinformação promovido pelo entorno bolsonarista.
O áudio também reforça o nível de frustração entre os envolvidos:
“Fodeu geral. Vou preparar meu filho pra ir embora desse país”, desabafa, ciente de que a tentativa fracassada se transformaria em investigações, inquéritos e prisões.
E não errou: parte da cúpula bolsonarista já está presa ou indiciada.
Enquanto isso, no Congresso, a obstrução feita pelo PL e seus aliados se revela cada vez mais como um ato simbólico de autovitimização e cinismo. No último domingo, dia 3 de agosto, bolsonaristas foram às ruas gritar por “liberdade”. Mas bastaram cinco dias para adotarem a lógica da ditadura bolsonarista, obstruindo os trabalhos da Câmara dos Deputados e do Congresso Nacional com gestos teatrais, tapando a própria boca com fita adesiva — e tentando calar a dos demais.
“É ridículo. Eles tapam a própria boca e tentam tapar a nossa também. Isso não é protesto, é tentativa de silenciar a democracia”, disse uma parlamentar, em coletiva de imprensa, ao denunciar o ato antidemocrático.
A sessão foi interrompida, e o ambiente virou cenário de obstrução, gritaria e cenas dignas de um show golpista.
A ofensiva não se limita ao Legislativo: os mesmos parlamentares que agora tentam paralisar o Congresso são os que atacam sistematicamente o Judiciário e o Executivo. E foi nesse contexto que houve uma importante manifestação de solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, pelas decisões firmes em defesa da Constituição e da ordem democrática.
“Eles atacam todas as instituições, como a ditadura sempre fez. É por isso que exigimos punição”, afirmou a deputada.
A exigência é clara: que os trabalhos do Congresso sejam retomados com urgência, que o povo brasileiro seja respeitado, e que não se aceite chantagem de quem se comporta como sabotador do regime democrático.

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