Patriotas em choque: o presidiário da vez atende por Jair — e veste verde e amarelo
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

Durante toda a campanha de 2022, os bolsonaristas repetiram feito papagaio de auditório: “não voto em ex-presidiário”. Era o bordão oficial das rodas de WhatsApp, dos outdoors ilegais e das carreatas patrocinadas por agrotóxicos. Agora, no dia 4 de agosto de 2025, a frase ganha um novo significado: Jair Bolsonaro, o ídolo do gado, o pai dos patriotas, o “salvador da pátria”, foi preso.
Sim, agora eles têm um presidiário para chamar de mito.
A prisão de Bolsonaro escancara aquilo que a imprensa livre e os órgãos de investigação vêm dizendo há anos: o ex-presidente liderou uma organização criminosa, sabotou a democracia, incentivou atos golpistas e cometeu crimes graves contra o povo brasileiro. Tudo isso em nome de um projeto autoritário que terminou do jeito mais simbólico possível: algemado e sem poder.
Os crimes que pesam sobre Bolsonaro fariam inveja a qualquer dossiê da Lava Jato. Ele não só emparelhou o governo com milicianos digitais e negacionistas delirantes, como tentou — de forma escancarada — destruir as instituições que jurou defender. Eis a lista do currículo penal do ex-mito:
– Tentativa de golpe de Estado – Por planejar, incentivar e omitir-se diante dos atos terroristas de 8 de janeiro.
– Atentado contra o Estado Democrático de Direito – Pela articulação para deslegitimar o resultado das urnas e estimular ruptura institucional.
– Abuso de poder político e econômico – Com uso da máquina pública para disseminar fake news, ameaçar o TSE e manipular a opinião pública.
– Falsidade ideológica – Uso de documentos falsos para entrada e permanência nos Estados Unidos após o fim do mandato.
– Crime contra a saúde pública – Pela condução criminosa da pandemia, incentivando cloroquina, atrasando vacina e tripudiando dos mortos.
– Genocídio Yanomami – Pela omissão criminosa diante do garimpo ilegal que devastou vidas e territórios indígenas.
– Vazamento de informações sigilosas da PF – Com objetivo de proteger aliados e sabotar investigações em andamento.
– Apropriação indébita de patrimônio público – Pela tentativa de se apropriar de joias milionárias destinadas ao acervo da presidência.
– Obstrução de Justiça e destruição de provas – Em vários inquéritos que investigam sua atuação durante e após o mandato.
E como se não bastasse, Bolsonaro ainda é réu por incitação ao crime, desacato, e tem diversos aliados presos ou delatando. A casa caiu. A “República do Zap” virou grupo de apoio psicológico. Os acampamentos golpistas agora são só lembrança suja de um Brasil envergonhado.
A prisão do ex-presidente enterra de vez o mito da moralidade seletiva. Aqueles que diziam lutar contra a corrupção agora precisam encarar o próprio líder como réu. Os que berravam “bandido bom é bandido morto” agora pedem oração por presidiário. Os que se vestiam de verde-amarelo para pedir intervenção agora estão de preto, de luto moral.
E não adianta culpar o “sistema”, nem o “Xandão”, nem a “mídia vendida”. Bolsonaro cavou seu destino com a pá da arrogância, jogando terra em cima da Constituição e rindo da cara da democracia. Agora, chegou a fatura. E veio com juros, correção monetária e camburão.
E que fique registrado: essa prisão não é perseguição. É justiça. E justiça tarda, mas quando vem, desfaz até fake news de grupo de família.
Parabéns, patriotas! Vocês venceram. Agora têm um presidiário para idolatrar nas redes, tatuar nas costas e defender com textão emocionado. Mas da próxima vez, cuidado com o que desejam. Porque às vezes, o “mito” se torna mesmo lenda — dessas que terminam em cela, não em conto de fadas.

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