Do desembargador ao trator: a máquina pública a serviço da terra da família do governador
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

A semana começou com cenas lamentáveis em Santo Antônio do Descoberto (GO). Por ordem da 1ª Vara Cível, teve início nesta segunda-feira (4 de agosto) o despejo de cerca de 400 famílias da fazenda Antinha de Baixo, na zona rural. A operação contou com forte aparato policial: dezenas de viaturas da Polícia Militar de Goiás (PMGO) ocuparam o local logo cedo, seguidas de oficiais de justiça, tratores e apoio do Corpo de Bombeiros e da Defensoria Pública estadual Instagram+12Metrópoles+12O Hoje+12.
A decisão judicial reconhece a propriedade da terra em nome de três herdeiros — todos ligados à família do governador Ronaldo Caiado (União Brasil). Entre eles estão Maria Paulina Boss, tia do governador, e Breno Boss Caiado, seu primo, que reivindica a posse da fazenda Portal da Alego+5Metrópoles+5O Hoje+5. Alega-se que os atuais moradores foram enganados por antigos proprietários, que teriam vendido os terrenos sem documentação legal.
O imbróglio fundiário se arrasta há mais de 60 anos, iniciando-se em 1945 com uma ação de divisão de posse e ganhando força em 1995, após uma decisão que posteriormente transitou em julgado Instagram+5Biodiversidad en América Latina+5Facebook+5Metrópoles+2Brasil de Fato+2Biodiversidad en América Latina+2. Nos anos 1980 e 1990, Maria Paulina Boss e demais herdeiros foram declarados proprietários, com base em escrituras particulares, sem domínio legal O Hoje+4Brasil de Fato+4Portal da Alego+4.
Breno Boss Caiado chegou a advogar para a família no processo antes de assumir o cargo de desembargador no TJGO em 2023, quando se afastou oficialmente do caso. Mesmo assim, garantiu vitória judicial que resultou na desocupação Instagram+8Goiás 24 Horas+8Brasil de Fato+8. A juíza Ailime Virgínia Martins expediu o mandado de reintegração em julho de 2025 e autorizou uso de força policial, Corpo de Bombeiros e até arrombamentos, com exceções para 16 famílias consideradas vulneráveis — critério pouco esclarecido Metrópoles+1O Hoje+1.
A execução ficou sob responsabilidade da Polícia Militar do Estado de Goiás, comandada pelo próprio governador Ronaldo Caiado. O mesmo estado, o mesmo sobrenome, a mesma força contra o povo.
Vítimas como a agricultora Katleen Silva, 38 anos, perderam animais, plantações e suas casas. “Perdi minhas galinhas…”, relatou Goiás 24 Horas+1O Hoje+1. Apenas 16 pessoas passaram pelo filtro de vulnerabilidade — sem transparência nos critérios. Já a aposentada Maria das Graças Souza, de 78 anos e em recuperação de AVC, foi impedida de permanecer no local.
Tratores demolindo casas, policiais nos quintais, crianças apressadas, galinhas largadas, plantações destruídas. Tudo isso para assegurar a “vitória jurídica” de uma família que domina o estado de Goiás.
Essa é a face do latifúndio no Brasil: Justiça, polícia e governo atuando juntos para servir interesses particulares. O povo? Que se vire. E se não tiver para onde ir, corra antes que o trator o atinja.

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