No desfile do patriotismo seletivo, bandeiras vermelhas dos EUA tremulam com orgulho. E o agronegócio? Taxado em 50% e ainda abanando o rabo. É o velho complexo de vira-lata em versão bolsonarista
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

“Pérolas Bolsonaristas” deveria ser o nome de uma série de comédia. E o episódio mais recente? Bolsonaristas de verde e amarelo, gritando com fervor que “a nossa bandeira jamais será vermelha” — enquanto balançam com orgulho não uma, mas várias bandeiras dos Estados Unidos. E advinha? Vermelhas. Bem vermelhas.
A piada só melhora quando lembramos que esses mesmos patriotas andam caladinhos após os EUA imporem uma taxação de até 50% sobre produtos do agronegócio brasileiro. Isso mesmo: o mesmo agro que financiou, apoiou e até marchou nos atos antidemocráticos, agora está levando um chacoalhão econômico… e nem um pio.
Mas aí entra em cena o protagonista oculto dessa tragicomédia: o bom e velho Complexo de Vira-lata. Sim, ele mesmo. Aquela necessidade quase doentia de se curvar ao estrangeiro, de lamber bota alheia e bater continência pra bandeira americana enquanto cospe no próprio país. É o patriotismo de aluguel, vendido em dólar e embrulhado em papel alumínio.
Pra essa turma, vermelho é problema só quando vem do boné do MST ou da estrela do PT. Mas se estiver nas treze listras da bandeira dos EUA, aí tudo bem. Pode enfeitar a grade, virar capa de perfil no X, virar toalha de manifestação. O importante é ajoelhar pro Tio Sam e fazer pose de “defensor da pátria” — desde que a pátria não seja o Brasil.
Enquanto isso, o agronegócio toma uma rasteira, os produtos brasileiros enfrentam barreiras e os produtores viram palhaços no picadeiro da geopolítica. E os vira-latas seguem abanando o rabo, achando que estão sendo tratados como golden retrievers pela elite global.
Então, da próxima vez que ouvir um bolsonarista berrando que “a nossa bandeira jamais será vermelha”, pergunte: “Mas e a dos Estados Unidos? Pode?”
Porque nessa turma, o vermelho só incomoda quando é símbolo de justiça social. Quando é símbolo de dominação e submissão, aí é patriotismo raiz.

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