Governador Mauro Mendes, mesmo com concurso realizado, prefere manter cidades desguarnecidas e apostar em policiais temporários, ignorando a convocação de concursados e deixando Mato Grosso refém da criminalidade.
Pela Redação | A Voz do Povo em Tela

O assalto à agência do Sicredi, registrado na última quinta-feira (1º) em Brasnorte (MT), escancarou a precariedade da segurança pública no estado. No momento da ocorrência, a cidade contava com apenas dois policiais militares de plantão. Nenhum policial civil estava disponível para atender à ocorrência. O fato é alarmante, mas, infelizmente, não é um episódio isolado.
Mato Grosso, um dos estados mais ricos do Brasil, com um dos maiores PIBs do país e cerca de 3,7 milhões de habitantes distribuídos em 142 municípios — aproximadamente 4,5 habitantes por quilômetro quadrado — vive uma crise de efetivo policial. A situação coloca em risco a população e evidencia a incapacidade do governo Mauro Mendes (União Brasil) em garantir um mínimo de estrutura para combater a criminalidade.
Enquanto o crime organizado se fortalece e se expande pelo estado, os policiais que estão na ativa enfrentam jornadas desumanas, sobrecarga emocional e um desgaste físico e mental que beira o insustentável. Em muitas localidades, o efetivo reduzido torna impossível oferecer segurança adequada à população.
O que torna a situação ainda mais revoltante é o fato de que o governo Mauro Mendes já realizou concurso público para a Polícia Militar, mas se recusa a convocar os aprovados. Ao invés disso, o governador insiste na proposta de contratar policiais temporários — uma medida que não apenas fragiliza a corporação, mas também coloca em risco a qualidade e a continuidade do serviço policial no estado.
A estratégia de Mendes é irresponsável. Em um estado com dimensões continentais e cidades que chegam a ficar completamente descobertas de policiamento em determinados períodos, a ausência de efetivo policial abre espaço para que crimes como o de Brasnorte sejam planejados e executados com facilidade. Os criminosos conhecem a fragilidade do sistema e se aproveitam da falta de estrutura.
O roubo ao Sicredi foi meticulosamente planejado por quem sabia exatamente como funciona — ou melhor, como não funciona — a segurança pública em Brasnorte. O número irrisório de policiais de plantão não era segredo, e essa vulnerabilidade se repete em dezenas de municípios do estado.
O governador Mauro Mendes prefere se vangloriar do crescimento econômico de Mato Grosso, mas ignora que a riqueza do estado não se traduz em investimentos suficientes na segurança da população. Esse descaso é inadmissível.
Mato Grosso precisa de mais policiais nas ruas, precisa de valorização das forças de segurança e, acima de tudo, precisa de um governo comprometido com a vida das pessoas. O que se vê hoje, no entanto, é um governo que fecha os olhos para uma crise gravíssima e deixa cidades inteiras reféns da criminalidade.
A população de Brasnorte e de todo o estado exige respostas e ações imediatas. A convocação dos concursados da Polícia Militar não pode mais ser adiada. A insistência em soluções paliativas, como a contratação de policiais temporários, não resolve a raiz do problema e só agrava a insegurança.
Mauro Mendes deve ser responsabilizado por esse verdadeiro colapso da segurança pública em Mato Grosso. A tragédia anunciada de Brasnorte não pode cair no esquecimento.

Deixe um comentário