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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Falam em liberdade de expressão, mas o próprio PL expulsou um deputado por discordar da cúpula do partido — liberdade pra quem, afinal? Enquanto isso, fanáticos voltam às ruas em Sinop pedindo ‘anistia’ e revivendo o fiasco de 2022

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Em pleno dia útil, enquanto trabalhadores enfrentam filas no SUS, correm atrás de emprego e tentam sobreviver à alta do aluguel, um bolsonarista fanático resolveu reviver o teatro da vergonha de 2022 nas ruas de Sinop (MT). No cruzamento da avenida Júlio Campos com a Jacarandás, Marcos Watanabe reapareceu com cartazes pedindo “anistia” e “fora Lula”, como se nada tivesse acontecido desde a tentativa frustrada de ataque à democracia.

E antes que alguém fale em “liberdade de expressão”, vale lembrar: o próprio PL, partido que grita por liberdade, democracia e “direito de se manifestar”, acaba de EXPULSAR um deputado federal da sua bancada — apenas por expressar opinião divergente. O presidente do PL Nacional, Valdemar Costa Neto, mostrou com todas as letras: liberdade de expressão só vale quando serve ao chefe. Caso contrário, é demissão, expulsão ou censura interna.

A cena patética em Sinop remete aos tempos em que acamparam no estádio, no tiro de guerra e até bloquearam a BR-163 para tentar impedir o resultado das urnas. O que conseguiram? Nada. Lula tomou posse, governa o país, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, segue firme como o grande guardião da democracia — colocando cada extremista em seu devido lugar: atrás das grades.

Os cartazes de hoje pedem “liberdade”, mas o que está em jogo não é liberdade — é impunidade para quem atentou contra o Estado Democrático de Direito. Pedem “justiça”, mas ignoram as joias desviadas, os esquemas de corrupção, as tentativas de fraude e o envolvimento de Bolsonaro em organização criminosa. Clamam por “anistia”, mas o que a lei prevê é punição exemplar, como já começou a acontecer: condenações de 17 anos para os baderneiros do 8 de janeiro são apenas o começo.

E há algo ainda mais cômico (e trágico): os mesmos que passam o dia com cartazes pedindo “volta da ditadura” são os que gritam por “liberdade de expressão”. Talvez tenham faltado justamente à aula de História em que se ensina o que é uma ditadura de verdade. Porque em uma ditadura de verdade, como a que o Brasil viveu entre 1964 e 1985, quem se manifestava contra o governo não ficava na esquina com cartaz — ficava preso, torturado ou desaparecido. Não havia manifestação na rua. Não havia imprensa livre. Não havia eleição. Não havia sequer o direito de dizer “fora” coisa alguma.

Querem ditadura, mas querem o direito de reclamar do governo? Querem censura, mas querem liberdade? Essa contradição beira o delírio. Só mesmo a democracia — essa que tanto atacam — é capaz de garantir o direito de se exporem ao ridículo sem correr o risco de sumir no meio da madrugada.

Enquanto isso, o povo brasileiro sente os efeitos de um governo legítimo trabalhando: desemprego em queda, obras retomadas, vacina no braço, comida no prato. Mas há quem prefira viver em delírio, acreditando que cartazes na calçada vão mudar o rumo da história.

O que Watanabe quer? Um país onde a vontade de uma minoria derrotada nas urnas se sobreponha ao voto da maioria? Onde radicais sejam perdoados enquanto professores são censurados e jornalistas perseguidos?

A democracia não se curva diante de fanatismos. E se a lição de 2022 não bastou, o recado está dado: continuar atentando contra a ordem constitucional é caminho certo para a cadeia. A Papuda está de portas abertas para novos hóspedes.


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