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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Antônio Carlos Rodrigues é jogado para fora do partido após chamar Moraes de “um dos maiores juristas do país” e dizer que Trump deveria “cuidar dos EUA”; Valdemar obedece a bancada que idolatra o ex-presidente americano

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Antônio Carlos Rodrigues, deputado federal por São Paulo, foi expulso nesta quinta-feira (31) do Partido Liberal (PL) por um motivo que parece piada pronta: ele elogiou o ministro do STF Alexandre de Moraes e ousou criticar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou a expulsão atendendo à pressão da bancada bolsonarista.

A polêmica surgiu após entrevista concedida por Rodrigues ao portal Metrópoles, em que ele classificou como “absurda” a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. A norma, aprovada nos EUA, permite sanções a estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou cometer corrupção em larga escala.

“É o maior absurdo que já vi na minha vida política. O Alexandre é um dos maiores juristas do país, extremamente competente. Trump tem que cuidar dos Estados Unidos. Não se meter com o Brasil como está se metendo”, disse o parlamentar.

O desabafo, no entanto, custou caro. Em nota oficial, Valdemar Costa Neto anunciou a expulsão imediata de Antônio Carlos Rodrigues, alegando “forte pressão da bancada” do PL. Segundo ele, “nossos parlamentares entendem que atacar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma ignorância”.

Sim, você leu certo: criticar o presidente de outro país virou critério de expulsão no partido que mais grita ‘soberania nacional’.

Quem é Antônio Carlos Rodrigues?

Antônio Carlos é um velho conhecido da política paulista. Foi senador por São Paulo entre 2012 e 2015 e retornou à Câmara dos Deputados nas eleições de 2022, eleito com 118.841 votos. Ligado ao setor do transporte, ele já foi ministro dos Transportes no governo Dilma Rousseff, entre 2014 e 2015, e tem trajetória consolidada.

Ou seja, diferente de muitos deputados bolsonaristas que só falam de arma, Bíblia e fake news, Rodrigues tem currículo, passou pelo Senado, foi ministro e agora é chutado por elogiar um jurista brasileiro e pedir que Trump “fique na dele”.

O PL virou sucursal da extrema direita americana?

A cena é de comédia, mas é real. O partido que deveria representar interesses brasileiros agora expulsa um deputado eleito com mais de 100 mil votos porque ele defendeu um ministro do STF e pediu que os EUA parassem de interferir no Brasil.

Pelo visto, no PL, quem manda não é o povo, nem a Constituição — é o trumpismo de quinta categoria que tomou conta do partido. E quem diverge da cartilha bolsonarista é jogado pela janela, mesmo tendo voto, trajetória e currículo.

Como se já não bastassem os escândalos de corrupção, as joias sauditas, os kits de robótica superfaturados e os cartões corporativos secretos, agora o PL mostra que sua prioridade é defender um presidente estrangeiro e atacar juristas brasileiros.

O Brasil merece mais que isso. E o eleitor também.


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