Partido presta apoio à doutora Maria Inês Barbosa, da UFMT, alvo de violência política e de gênero ao utilizar linguagem inclusiva durante conferência do SUS em Cuiabá
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

A 11ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá, realizada nesta quarta-feira (30), foi palco de um episódio lamentável protagonizado pelo prefeito Abílio Brunini (PL), que humilhou publicamente a professora Maria Inês Barbosa, doutora em Saúde Pública pela USP e docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Convidada para a abertura do evento, a professora foi interrompida de forma autoritária por utilizar linguagem neutra em sua saudação ao público — um recurso legítimo de inclusão e respeito à diversidade.
A cena gerou indignação nacional. Ao iniciar sua apresentação, Maria Inês recorreu a pronomes neutros como forma de contemplar todos os gêneros, em alinhamento com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que preconiza equidade, inclusão e respeito à diversidade. O prefeito Abílio, no entanto, subiu ao palco, tomou o microfone e interrompeu a fala da convidada, afirmando que não aceitaria “doutrinação ideológica” em sua gestão.
Mesmo diante da violência simbólica e política, a professora reagiu com firmeza, reafirmando seu compromisso com a saúde pública, com a ciência e com os direitos da população LGBTQIA+. Após a intervenção truculenta do prefeito, decidiu se retirar do evento em ato de dignidade e resistência.
A atitude de Abílio escancarou o autoritarismo e a intolerância que marcam sua gestão, desrespeitando não apenas uma profissional altamente qualificada, mas também os valores que regem o SUS. A conferência, que deveria ser um espaço democrático de construção coletiva, foi manchada por um ato de censura e preconceito.
Em nota oficial, o Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso (PT-MT) manifestou sua irrestrita solidariedade à professora Maria Inês, reafirmando seu compromisso com a ciência, com a valorização da educação pública, com os direitos humanos e com a luta das mulheres negras. “Nos solidarizamos com a professora e com todas as pessoas que, naquele espaço, presenciaram mais um triste episódio de intolerância e autoritarismo”, diz o texto.
A comunidade acadêmica, movimentos sociais, conselhos de saúde e diversos parlamentares também se manifestaram em defesa da professora. O gesto de Maria Inês, que enfrentou a hostilidade sem abaixar a cabeça, tornou-se símbolo de coragem e resistência diante do avanço da ignorância e da tentativa de silenciamento.
Em tempos de ataques às liberdades democráticas, o episódio reforça a urgência da luta por uma saúde pública inclusiva, plural e antirracista — onde todas as vozes sejam respeitadas.

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