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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Ao impedir a fala de uma doutora em Saúde Pública, prefeito de Cuiabá comete abuso de poder e transforma conferência democrática em palco de autoritarismo; ato envergonha Mato Grosso e o Brasil

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O que era para ser uma conferência democrática de saúde virou palco de autoritarismo, misoginia e censura. Em um ato que envergonha o estado de Mato Grosso e choca o país, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), protagonizou nesta terça-feira (30) uma verdadeira agressão institucional ao interromper, humilhar e expulsar do palco a professora universitária Maria Inês da Silva Barbosa, doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP) e docente da UFMT.

O motivo? A professora utilizou pronomes neutros em sua fala durante a 11ª Conferência Municipal de Saúde, realizada no Hotel Fazenda Mato Grosso. Abílio, sem qualquer respeito ou compostura, subiu ao palco e, de forma autoritária, disse em alto e bom som que “não aceitaria doutrinação ideológica”, ordenando o encerramento da apresentação caso ela continuasse com a linguagem inclusiva.

Maria Inês, com dignidade e firmeza, respondeu: “Essa linguagem é para incluir pessoas que estão sendo invisibilizadas”. Mas a perseguição já estava feita. A professora, constrangida diante de dezenas de pessoas, encerrou sua participação. O ataque do prefeito foi direto a uma mulher, educadora, pesquisadora e profissional da saúde pública — tudo o que o bolsonarismo abomina: ciência, empatia e autonomia.

A repercussão foi imediata: vídeos circularam nas redes sociais e a comunidade acadêmica, movimentos sociais e profissionais do SUS reagiram com indignação. E não é para menos. O que Abílio fez foi mais do que interromper uma palestra — foi uma violência política contra uma mulher, cometida com o uso do cargo público e do microfone do Estado para silenciar, humilhar e excluir.

A atitude do prefeito de Cuiabá não apenas fere os princípios constitucionais do SUS e a autonomia do Conselho Municipal de Saúde, que promove o evento de forma independente da prefeitura. Vai além: é um ataque à democracia, ao direito de fala e à luta histórica de mulheres por voz nos espaços públicos.

Cuiabá é a capital de Mato Grosso, e o que se viu ali é um retrato do atraso, da intolerância e do autoritarismo político de um gestor despreparado, que prefere alimentar guerras ideológicas do que enfrentar os verdadeiros problemas da saúde pública da cidade: UPAs superlotadas, falta de medicamentos, denúncias de corrupção e caos na gestão da Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP).

Brunini está mais preocupado em censurar uma professora por usar pronomes neutros do que em garantir leitos, exames e atendimento digno à população.

Esse não é um caso isolado. É parte de um projeto político que odeia o SUS, odeia a ciência e odeia a inclusão. Um projeto que usa o poder para atacar minorias, transformar servidores públicos em inimigos e fazer da gestão um palanque de ataques ideológicos.

O que vimos nesta conferência não é só censura. É machismo institucionalizado, é o uso da máquina pública para calar mulheres, é um prefeito que usa sua posição para exercer violência simbólica e política com a naturalidade de quem já perdeu qualquer senso de limite.

É inaceitável. É inadmissível. É uma vergonha para o estado de Mato Grosso. É uma vergonha para o Brasil.

Calar uma doutora em Saúde Pública em plena conferência do SUS é calar a ciência, calar o SUS e calar o povo. E isso a sociedade não pode permitir.


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Uma resposta para “Prefeito Abílio humilha e expulsa professora da UFMT em conferência do SUS: violência política, machismo e censura explícita em Cuiabá”.

  1. Avatar de Pérola
    Pérola

    fascista que fala, né

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