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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Ao desmontar a gestão democrática e esvaziar a hora-atividade, Mauro Mendes revela plano estratégico para desvalorizar a educação pública e atacar conquistas históricas dos trabalhadores da educação

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O governo de Mauro Mendes (União Brasil) parece ter um plano bem definido quando o assunto é a desvalorização da educação pública em Mato Grosso. Sob um discurso técnico e com medidas aparentemente “modernas”, o que se vê na prática é o desmonte sistemático de conquistas históricas da categoria, a começar pela autonomia das escolas e pela hora-atividade dos professores.

Nos últimos meses, o governo estadual tem aprofundado o controle centralizado sobre a rede estadual, impondo decisões de cima para baixo, enfraquecendo os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar (CDCEs), nomeando diretores sem consulta às comunidades e sufocando o debate interno nas escolas. A gestão democrática, prevista em lei e fundamental para uma educação de qualidade, está sendo desmontada em silêncio.

A mais nova manobra foi vender à opinião pública a “benfeitoria” de permitir que professores realizem 60% de sua hora-atividade fora do ambiente escolar. A medida, que poderia ser encarada como uma flexibilização positiva, na prática tem objetivos escusos: ao esvaziar o vínculo do professor com o espaço coletivo da escola, o governo tenta deslegitimar o valor pedagógico da hora-atividade e abrir caminho para, no médio prazo, eliminá-la por completo.

“Essa história de liberar 60% da hora-atividade para ser feita em casa não é valorização. É desmonte. É uma jogada estratégica para daqui dois ou três anos apresentar um projeto à Assembleia Legislativa retirando o direito por completo”, alerta um professor da rede estadual que participou da histórica greve de 76 dias e que, à época, deixou o cargo de assessor para estar ao lado dos colegas na linha de frente.

A hora-atividade é uma conquista vital para o planejamento, estudo, correção de atividades e atendimento individualizado dos alunos. Trata-se de tempo essencial para garantir a qualidade do ensino, e não um privilégio. Desconstruir essa lógica é desvalorizar o trabalho docente e enfraquecer a própria escola pública.

Diante desse cenário, cresce o alerta entre os trabalhadores da educação. Caso esse plano siga adiante, a resposta precisa ser à altura. Se necessário, a categoria deve se mobilizar, ir às ruas e paralisar o estado em defesa da educação pública, da gestão democrática e do respeito à carreira docente.

Mauro Mendes precisa saber que a educação de Mato Grosso não será destruída sem resistência. Os professores não aceitarão calados mais esse ataque.


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