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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Polícia Federal inicia cerco a esquemas bilionários nas emendas de transferência especial; Ministro Flávio Dino é quem começa a botar ordem na farra que nasceu com Bolsonaro e virou chantagem no governo Lula

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O Brasil está diante de um escândalo monumental. Não é escondido, não é secreto, não é “por baixo dos panos”. É legal, constitucional, aprovado pelo Congresso e transferido com um simples clique. Trata-se da famigerada Emenda PIX, um dos maiores esquemas de uso indevido do dinheiro público da história — e talvez o mais eficiente no que se propõe: comprar apoio político em troca de bilhões de reais sem fiscalização.

Criada no governo Bolsonaro, em 2019, e mantida no atual governo Lula como chantagem institucionalizada, a Emenda PIX funciona como um “vale-tudo” orçamentário. Deputados e senadores distribuem bilhões diretamente para estados e municípios sem precisar apresentar projeto, sem detalhar a aplicação e sem qualquer licitação. É o orçamento nas mãos de quem mais grita.

Mas a farra está começando a azedar. A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta semana a Operação Korban, com autorização do ministro do STF Flávio Dino, o “Dinão”, que começa a desmanchar esse castelo de cartas.

A ação investiga desvio de ao menos R$ 15 milhões em emendas destinadas a um projeto de “esportes digitais” com crianças e adolescentes. O suposto projeto recebeu R$ 53 milhões no total via emendas do Distrito Federal — sendo R$ 46 milhões para ensinar jovens a jogar games como Free Fire e LoL. A entidade beneficiada, a Associação Moriá, é chefiada por um ex-cabo do Exército, um motorista e uma esteticista.

Os recursos foram repassados com base em termos de fomento com o Ministério do Esporte, e o destino final do dinheiro é, no mínimo, duvidoso. A PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no DF, Goiás, Acre e Paraná, bloqueou R$ 25 milhões em bens e suspendeu os repasses federais à entidade investigada.

Uma fábrica de escândalos

A Emenda PIX é herança direta da “República do Orçamento Secreto” criada na era Bolsonaro, onde parlamentares mandavam no dinheiro da União com aval do Centrão. Após a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em 2022, o esquema não acabou — apenas mudou de nome e CNPJ. O governo Lula herdou o monstro e agora é refém dele: ou cede às chantagens do Congresso, ou vê a máquina pública travar.

Entre 2020 e 2023, mais de R$ 10 bilhões foram liberados via Emendas PIX sem qualquer controle rigoroso. Para 2025, o montante deve passar de R$ 7 bilhões. Os repasses são tão “eficazes” que muitos prefeitos só precisam assinar o recibo — e torcer para que a obra seja feita de verdade.

Dinão entra em campo

A chegada de Flávio Dino ao STF começa a virar o jogo. Com pulso firme e histórico de combate à corrupção, o ministro determinou o bloqueio de contas, suspensão de repasses e sequestro de bens na Operação Korban. Mas o mais importante: abriu caminho para que outras operações venham a seguir e desmontem a estrutura que sustenta esse modelo de “roubo legalizado”.

Se depender de Dinão, as emendas PIX podem deixar de ser um bilhete premiado para políticos espertos e virar o que deveriam ser desde o começo: instrumentos para melhorar a vida do povo, com transparência e responsabilidade.

Enquanto isso, o povo assiste — entre a indignação e o cansaço — mais um capítulo da novela sem fim chamada Brasil: um país onde o dinheiro some com nota fiscal, onde corrupção tem CNPJ e onde quem denuncia ainda é acusado de atrapalhar a governabilidade.

Mas talvez, com o cerco apertando, a farra esteja com os dias contados.


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