Comandado por Dilma Rousseff, banco inicia nova era de soberania financeira e desafia a hegemonia global dos EUA
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tel

Em uma decisão que reverberou nos mercados internacionais, o Banco dos BRICS — bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — anunciou que deixará de operar exclusivamente com o dólar norte-americano em suas transações e empréstimos. A partir de agora, o banco passará a utilizar moedas locais dos países membros, incluindo o Real brasileiro.
O anúncio foi feito pela China e confirmado pela presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), a ex-presidente do Brasil Dilma Rousseff, durante agenda oficial que reuniu lideranças do bloco. A medida representa uma ruptura histórica com a lógica de dependência ao dólar e fortalece o projeto de soberania econômica dos países emergentes.
Uma nova ordem financeira em construção
O sistema financeiro global tem sido, por décadas, dominado pela moeda dos Estados Unidos. O dólar é utilizado em mais de 80% das transações internacionais, mesmo quando os países envolvidos não têm relação direta com os EUA. Isso garante a Washington um poder desproporcional sobre o comércio global, além da capacidade de impor sanções, bloqueios e chantagens financeiras a outras nações.
Ao decidir operar com moedas nacionais — como o real, o rublo, a rúpia, o yuan e o rand — o Banco dos BRICS envia uma mensagem clara: os países do Sul Global não aceitam mais serem reféns da política monetária norte-americana. O objetivo é criar alternativas viáveis, estáveis e seguras para o financiamento de projetos estruturantes, desenvolvimento sustentável e comércio entre os membros do bloco.
Papel de Dilma e do Brasil na articulação
Desde que assumiu a presidência do banco em março de 2023, Dilma Rousseff vem defendendo publicamente uma nova arquitetura financeira internacional. Economista e ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, Dilma tem articulado mecanismos de crédito que fortaleçam as moedas locais e ampliem a capacidade de investimento dos países em desenvolvimento, sem submissão às regras impostas por Washington, FMI ou Banco Mundial.
O uso do real nas transações do banco é estratégico para o Brasil, pois amplia sua presença no mercado internacional, reduz a exposição cambial e fortalece a indústria nacional. Além disso, ajuda a proteger a economia de flutuações abruptas no valor do dólar, que impactam diretamente nos preços dos combustíveis, alimentos e produtos básicos.
O que muda com essa decisão
A medida permitirá que países membros e parceiros do banco possam contrair empréstimos diretamente em suas moedas nacionais, sem a necessidade de conversão para dólar. Isso reduz custos, elimina taxas de intermediação e fortalece as moedas locais.
O novo modelo também promove maior integração entre os países do BRICS e contribui para a construção de uma rede financeira independente, com lastro em ativos reais, comércio bilateral e acordos multilaterais de investimento. Em tempos de guerras cambiais e disputas geopolíticas, essa independência é um passo crucial rumo a uma ordem internacional mais justa e multipolar.
Avanços e perspectivas
Nos últimos anos, o bloco BRICS tem se consolidado como uma força econômica relevante, representando cerca de 32% do PIB mundial e mais de 40% da população do planeta. Em 2023, o banco iniciou a ampliação de seus membros e atraiu o interesse de dezenas de países — da Argentina à Arábia Saudita, passando por Egito, Irã, Etiópia, Indonésia e outros.
A diversificação de moedas e o rompimento com o dólar são passos fundamentais para consolidar esse novo polo de poder econômico. Trata-se de uma reconfiguração do tabuleiro geopolítico global, onde os países do Sul Global não apenas reivindicam voz, mas também constroem caminhos concretos de autonomia.
Um duro golpe na hegemonia norte-americana
Analistas internacionais classificaram a medida como um “golpe simbólico e prático” na hegemonia do dólar. Embora ainda seja dominante, a moeda dos EUA vem perdendo espaço em transações globais. Em 2001, mais de 70% das reservas cambiais globais eram denominadas em dólar; hoje, esse índice caiu para cerca de 58%, segundo dados do FMI.
Com o avanço dos BRICS e o fortalecimento de moedas como o yuan e o real, esse processo tende a se acelerar. A América Latina, a África e a Ásia passam a ter mais opções e menos dependência de Washington, o que pode impactar diretamente a geopolítica global e as relações de poder.

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