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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

A mesma turma que queria fechar a fronteira com a Venezuela agora finge indignação com tarifas comerciais aplicadas por Nicolás Maduro — tudo para atacar Lula.

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

A direita bolsonarista passou os últimos anos pedindo sanções, bloqueios e até ruptura total com a Venezuela. Agora, em mais um surto de oportunismo político, fingem preocupação com tarifas comerciais impostas por Nicolás Maduro sobre produtos brasileiros.

A imagem que circula nas redes — com Eduardo Bolsonaro apertando a mão de Maduro — tenta ironizar o governo Lula, sugerindo que o comércio entre os dois países foi “traído” com a tarifa de 77%. O que não contam é que:

  • A Venezuela está reestruturando sua política fiscal após anos de bloqueio e crise econômica;
  • A tarifa se aplica a produtos específicos e está dentro das prerrogativas de soberania econômica do país;
  • Bolsonaro passou anos atacando o Mercosul, defendendo a saída da Venezuela do bloco e rompeu laços diplomáticos com Caracas, inclusive retirando embaixadores e fechando fronteiras.

Ou seja: quem hoje posa de defensor do livre comércio é o mesmo grupo que sabotou qualquer diálogo com a Venezuela e comemorou a fome daquele povo como se fosse vitória ideológica.

A verdade sobre as tarifas

A suposta tarifa de 77% refere-se a medidas pontuais aplicadas pelo governo venezuelano dentro de sua tentativa de controlar a entrada de produtos importados — algo comum em políticas protecionistas adotadas por dezenas de países. O Brasil, por exemplo, também aplica alíquotas elevadas sobre determinados setores para proteger sua indústria nacional.

Em vez de resolver a questão com diplomacia — como o governo Lula tem feito ao reabrir o diálogo com a Venezuela — a extrema-direita prefere transformar qualquer divergência em ataque ideológico.

Eduardo Bolsonaro: o beijo da hipocrisia

O próprio Eduardo Bolsonaro, que agora aparece indignado com a Venezuela, já flertou com regimes autoritários em todo o mundo. Esteve com Donald Trump, Viktor Orbán, Javier Milei, e até defendeu a volta do AI-5 no Brasil, quando confrontado com manifestações populares.

Mas na imagem que circula, Eduardo aparece em clima amistoso com Nicolás Maduro. O mesmo a quem seu pai chamou de ditador. Pergunta que não quer calar: foi fazer turismo ideológico ou negociar em nome dos “valores cristãos”?

O comércio precisa de estabilidade, não de histeria

O Brasil precisa sim resolver os entraves comerciais com a Venezuela — e com todos os seus vizinhos latino-americanos — com base na soberania, respeito mútuo e pragmatismo econômico.

Enquanto Lula atua para retomar a liderança regional do Brasil e reconstruir pontes, a direita tenta destruir tudo o que não entende, espalhando desinformação com memes e frases de efeito.

No final das contas, o povo brasileiro e o povo venezuelano querem comida na mesa, emprego, saúde e respeito. Não precisam de guerra ideológica nem de fake news com fundo de risada.


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