Ex-presidente que se dizia defensor da pátria e da família planejava prender ministros do STF e anular as eleições. A liberdade que ele tanto fala era só para ele mesmo
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

A cada nova oitiva no Supremo Tribunal Federal, o enredo do golpe frustrado fica mais claro. Os depoimentos revelam que Jair Bolsonaro não só sabia como incentivou os preparativos para um plano que previa a anulação das eleições de 2022, a prisão de ministros do STF e a convocação de novas eleições sob controle militar.
Liberdade? Pátria? Família? Os fatos escancaram o real significado dessas palavras para Bolsonaro: liberdade para dar golpe, pátria submissa aos EUA e família só a dele, cercada de escândalos e privilégios.
Reuniões ocorreram no Palácio da Alvorada com aliados, militares e ministros, onde se discutia um decreto golpista que transformaria o país numa ditadura presidencial-militar. A minuta foi lida em voz alta, com o aval do então presidente.
Relatos indicam que o plano poderia chegar a níveis extremos, com riscos concretos à integridade do presidente Lula, do vice Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes — este último apontado como principal obstáculo à ruptura institucional e verdadeiro terror dos bolsonaristas covardes.
Além dos depoimentos que colocam Bolsonaro no centro da tentativa de golpe, o Supremo também concluiu nesta semana as oitivas de integrantes de dois grupos fundamentais na engrenagem golpista: o chamado “núcleo gerencial” e o “núcleo das fake news”.
O núcleo gerencial era composto por figuras de confiança do ex-presidente e responsáveis por articular os bastidores do plano golpista. Entre eles estão o general do Exército Mario Fernandes; Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais; Marcelo Câmara, ex-assessor direto de Bolsonaro; Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal; Marília de Alencar, ex-subsecretária de Segurança do DF; e Fernando de Sousa Oliveira, ex-secretário-adjunto da mesma pasta.
Já o núcleo das fake news reuniu os operadores digitais do bolsonarismo: figuras do segundo escalão acusadas de espalhar mentiras, manipular a opinião pública e atacar as instituições democráticas nas redes sociais, como parte da estratégia para desacreditar o sistema eleitoral e preparar o terreno para um golpe.
Todos esses nomes, embora não estivessem no centro da cena política, atuaram como peças-chave no funcionamento da engrenagem autoritária que buscava manter Bolsonaro no poder à força, ignorando a vontade popular expressa nas urnas em 2022.
Hoje, Bolsonaro veste tornozeleira eletrônica, está inelegível até 2030 e enfrenta investigações que podem levá-lo à prisão por crime contra o Estado Democrático de Direito.
Qual pátria? A americana?
Qual família? A dos cartões corporativos?
Qual liberdade? A de prender ministro e calar o povo?
Por pouco o Brasil não caiu num abismo. E ainda tem gente que chama isso de patriotismo.

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