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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Mesmo com prefeito milionário, alto PIB per capita e milhões em repasses federais, cidade segue com buracos, lama e infraestrutura precária

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

A Avenida Doutor Carlos Vodoto, uma das três únicas avenidas que cortam o pequeno município de Tabaporã (MT), tornou-se o retrato do abandono: buracos cheios de lama, remendos malfeitos e cascalho solto denunciam a precariedade da gestão municipal.

Moradores afirmam que a Prefeitura jogou apenas cascalho e aplicou uma camada superficial de pinch, que não resistiu às primeiras chuvas. O cruzamento em frente à praça central, onde as imagens foram registradas, virou uma armadilha para motoristas e pedestres, sem drenagem, sinalização ou qualidade mínima na pavimentação.

Tabaporã possui uma população estimada de 9.908 habitantes (IBGE 2024), espalhada por mais de 8 mil km². Mesmo com essa dimensão rural e pequena densidade demográfica, o município tem um PIB per capita de R$ 141.052,69 — um dos maiores de Mato Grosso. A receita bruta municipal em 2024 superou R$ 122 milhões, segundo dados do IBGE e da Confederação Nacional de Municípios.

Boa parte desses recursos vem de repasses do Governo Federal. Apenas em 2023 e 2024, Tabaporã recebeu milhões em transferências constitucionais como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), Fundeb, SUS e convênios diretos com a União. Em um dos convênios, por exemplo, o município recebeu R$ 270 mil para aquisição de caminhão de lixo por meio da Sudeco (Política Nacional de Desenvolvimento Regional). Mesmo assim, os serviços básicos seguem ineficientes e sem planejamento.

O contraste se agrava quando se olha para a cúpula do poder municipal. O prefeito Carlos Eduardo Borchardt, o Carlão (PL), declarou patrimônio de R$ 135,9 milhões ao TSE em 2024. Seu vice, Fábio Turra, declarou R$ 63,7 milhões. Juntos, a chapa bolsonarista soma quase R$ 200 milhões em bens — incluindo fazendas, rebanhos e maquinários agrícolas.

Além disso, a nova legislatura que inicia em 2025 trará salários robustos para o comando da cidade: o prefeito receberá R$ 24 mil por mês, o vice-prefeito valor proporcional e os vereadores terão R$ 4 mil mensais, com o presidente da Câmara ganhando R$ 10 mil mensais, conforme leis municipais aprovadas em 2024.

Enquanto a elite política vive em outro patamar, a população enfrenta lama, buracos e abandono em plena região central. Como desabafou um morador da cidade:
“Administrar uma cidade não é igual a cuidar de fazenda.”

A população de Tabaporã não pede luxo. Pede respeito, dignidade e o básico: ruas em condições mínimas de tráfego, saúde funcionando, escolas estruturadas e uma gestão que olhe para todos, não apenas para o próprio patrimônio.


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