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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Enquanto o governo comemora queda de roubos de carros, Mato Grosso amarga o topo dos rankings mais brutais: Sorriso tem a segunda maior taxa de estupros do país, e o estado lidera em feminicídios. Uma vergonha para quem prega “Deus, pátria, família”.

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

A cidade de Sorriso, em Mato Grosso, voltou a ser destaque nacional da pior forma possível. Segundo o novo levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24), o município registrou a segunda maior taxa de estupros e estupros de vulnerável do Brasil, com 131,9 casos a cada 100 mil habitantes em 2024.

A posição é ainda mais alarmante se comparada ao ano anterior, quando Sorriso já ocupava o primeiro lugar no ranking nacional, com 113,9 casos por 100 mil habitantes. Em vez de apresentar melhora, a cidade agravou sua situação, com um aumento expressivo no índice — o que desmente qualquer discurso de progresso ou sensação de segurança.

A farsa conservadora e o silêncio das autoridades

Conhecida como “capital nacional do agronegócio”, Sorriso também é um dos principais redutos do conservadorismo bolsonarista. Discursos de “família”, “Deus acima de tudo” e “valores cristãos” são repetidos à exaustão por lideranças políticas locais, mas os números revelam uma realidade sombria: a cidade é uma das mais perigosas do país para mulheres, crianças e adolescentes.

Durante o governo Bolsonaro, Sorriso já figurava entre as 10 cidades mais violentas do Brasil. Agora, mesmo com a troca de governo federal, a omissão das autoridades estaduais e municipais segue a mesma. Nenhuma campanha estruturada de enfrentamento à violência sexual foi lançada, tampouco há dados públicos locais sobre políticas de proteção, acolhimento e prevenção.

Enquanto isso, o Governo de MT comemora… queda no roubo de carros

No mesmo dia em que o Brasil toma conhecimento desse escândalo, o Governo de Mato Grosso faz propaganda institucional comemorando a redução de furtos e roubos de veículos no estado — como se isso fosse suficiente para garantir segurança à população.

A seletividade dos dados divulgados pela gestão Mauro Mendes evidencia um projeto de governo que escolhe esconder a violência sexual, os estupros e os crimes contra os mais vulneráveis, enquanto protege os interesses do capital e dos grandes produtores rurais.

Feminicídio: Mato Grosso lidera o ranking nacional mais vergonhoso

Em âmbito estadual, Mato Grosso atingiu a maior taxa de feminicídio do país em 2024, com 2,5 ocorrências por 100 mil mulheres — empatado com Mato Grosso do Sul — e com 47 casos registrados, um a mais que em 2023.

Quase 47% dos homicídios de mulheres no estado tiveram motivação de gênero — um aumento em relação aos 44,7% do ano anterior. Na média nacional, essa proporção é de 40,3%.

Além disso, aumentaram em 60% os casos de feminicídio seguidos de tentativa de suicídio por parte do agressor, evidenciando um padrão de violência extrema e impulsiva, muitas vezes cometida por companheiros ou ex-companheiros.

A hipocrisia do moralismo econômico

Mato Grosso se autoproclama bastião da moral conservadora e do cristianismo, mas se afoga em números que negam qualquer narrativa de segurança ou dignidade. Enquanto isso:

  • O governo estadual promove dados sobre a queda de roubos de veículos, mas silencia sobre os crimes reais que atingem mulheres, meninas e crianças;
  • Não há campanhas de prevenção contra estupro ou feminicídio;
  • Não existe investimento significativo em acolhimento às vítimas;
  • As lideranças pregam “família” e religião, mas falham em sustentar a vida e a integridade das mulheres sob sua jurisdição.

Resumo dos dados

IndicadorLocalTaxa / CasosPosição nacional
EstuproSorriso (MT)131,9 por 100 mil habitantes2º lugar
FeminicídioMato Grosso (estado)2,5 por 100 mil mulheres / 47 casos1º lugar

Reflexão final

Este panorama revela a face escancarada de uma contradição abissal: uma região que se orgulha do agro, do conservadorismo e da religião, mas se mostra incapaz de proteger suas mulheres. Em Sorriso e em todo Mato Grosso, a retórica moral serve para encobrir o desprezo pela vida feminina.

O Brasil está olhando. E cobrando. A vergonha não é apenas municipal nem estadual: ela é nacional. E ecoa alto.


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