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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Resistência, beleza e luta: a força da mulher negra brasileira

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O Brasil viveu 388 anos de escravidão. Foram quase quatro séculos em que corpos negros, sobretudo de mulheres, foram reduzidos a mercadoria, mão de obra e objeto de violência. E mesmo após a assinatura da Lei Áurea, em 1888, a abolição nunca veio de fato: o racismo apenas se transformou — deixou os pelourinhos e senzalas para se disfarçar nas estatísticas, nos currículos rejeitados, nas oportunidades negadas e nas vidas interrompidas.

No Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, é urgente reconhecer que a mulher negra continua sendo alvo do racismo estrutural, do machismo e da exclusão social. São elas as mais atingidas pela pobreza, pela falta de acesso à saúde de qualidade, às universidades e aos espaços de poder.

📉 Menos de 3% das estudantes de medicina no Brasil são mulheres negras.
🎓 Em cursos como engenharia, o número não passa de 5%.
🧹 Já nos empregos domésticos — herança direta da escravidão — pretas e pardas são mais de 60% das trabalhadoras.

Mesmo com avanços conquistados por políticas públicas como o sistema de cotas nas universidades federais, ainda há um longo caminho. O preconceito continua a dizer, de forma velada ou escancarada, que pessoas negras “não servem” para certas profissões. Que uma mulher negra na recepção de um hospital não pode ser médica. Que na engenharia, no direito ou na política, seu lugar ainda deve ser questionado.

Mas elas seguem resistindo. Na arte, na ciência, na educação, na agricultura, nos coletivos de base, nas universidades, nas quebradas e nas instituições. Mulheres como Dandara, Lélia Gonzalez, Tereza de Benguela, Carolina Maria de Jesus e tantas anônimas que constroem este país todos os dias.

Hoje é dia de lembrar: ser mulher e negra no Brasil é carregar uma dupla luta, mas também uma força ancestral que nunca se dobrou diante das correntes, nem das estruturas de poder.

25 de julho é dia de levantar a cabeça, olhar no espelho e reconhecer: o Brasil tem rosto negro, tem cabelo crespo, tem voz firme e tem corpo de mulher preta.


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