Trump, dólar e corrupção transnacional: bilhões movimentados antes do anúncio de tarifas contra o Brasil levantam suspeitas de crime financeiro com envolvimento de corretoras, aliados e a família Bolsonaro
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Na terça-feira, 9 de julho de 2025, enquanto o Brasil vivia um dia aparentemente normal nos mercados financeiros, uma sequência de operações bilionárias em contratos futuros de dólar disparava os alarmes de quem acompanha a B3. Em menos de duas horas, cerca de R$ 6,6 bilhões foram movimentados de forma atípica, por grandes corretoras e bancos que apostaram na alta do dólar com precisão milimétrica — pouco antes do anúncio de tarifas contra o Brasil feito por Donald Trump.
Às 16h17 daquele dia, o presidente dos Estados Unidos divulgou ao mundo sua decisão de aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros. O dólar, que estava cotado a R$ 5,44, disparou para R$ 5,60. Mas o mais espantoso é que algumas instituições já haviam comprado bilhões em contratos futuros de dólar horas antes — e lucraram fortunas instantaneamente. Isso é o que os analistas chamam de insider trading: uso ilegal de informação privilegiada.
OS NÚMEROS DO ESCÂNDALO
Segundo levantamento do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), com base em dados públicos da B3, as seguintes operações foram registradas no dia 9 de julho:
| Horário | Corretora / Instituição | Nº de contratos | Volume estimado (R$) |
|---|---|---|---|
| 10h13 | XP Investimentos | 2.000 | 549 milhões |
| 11h38 | BTG Pactual | 10.000 | 2,7 bilhões |
| 11h53 | BGC Liquidez | 1.975 | 542 milhões |
| 11h54 | Tullett Prebon | 1.490 | 409 milhões |
| 12h19 | Renascença | 4.000 | 1,09 bilhão |
| 12h23 | BGC Liquidez | 3.945 | 1,08 bilhão |
| 12h45 | Tullett Prebon | 3.965 | 1,08 bilhão |
| 14h07 | BGC Liquidez | 4.500 | 1,23 bilhão |
| 15h07 | Tullett Prebon | 1.500 | 411 milhões |
| 18h12 | XP Investimentos | 3.000 | 823 milhões |
Ao todo, as corretoras movimentaram mais de R$ 9,9 bilhões no mercado futuro de dólar — sendo que mais da metade dessas operações ocorreram antes do anúncio oficial do tarifaço.
O DONO DA BGC: QUEM É HOWARD LUTNICK?
Uma das principais corretoras envolvidas nas movimentações atípicas é a BGC Liquidez, que operou pelo menos três vezes naquele dia, totalizando quase R$ 3 bilhões em compras. O mais grave é a suspeita de que o responsável por essa corretora no Brasil seria Howard Lutnick, um bilionário americano que também atua como secretário de comércio do governo Trump — justamente o homem responsável pela política tarifária dos EUA.
Ou seja, o mesmo governo que anuncia a medida é o que lucra com ela. E não é só nos EUA: a investigação aponta que operadores no Brasil também podem ter se beneficiado do acesso prévio à informação.
O ENVOLVIMENTO DO BTG PACTUAL E A PONTA BRASILEIRA DO ESCÂNDALO
O BTG Pactual, um dos maiores bancos de investimento do país, também aparece como um dos principais beneficiados. Às 11h38, realizou uma compra de R$ 2,7 bilhões em contratos futuros de dólar — quase cinco horas antes do anúncio de Trump. O lucro com essa operação, considerando a valorização do dólar no mesmo dia, pode ter chegado a centenas de milhões de reais.
STF, AGU E O INQUÉRITO 4595: QUEM ESTÁ SENDO INVESTIGADO?
Diante da gravidade das denúncias, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, protocolou um pedido para que essas movimentações financeiras sejam incluídas no Inquérito 4595, em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria de Alexandre de Moraes.
O inquérito já investiga Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro por tentativa de obstrução de justiça, vazamentos de informações sigilosas e relações com uma potência estrangeira. Agora, com a nova frente de investigação financeira, a conexão entre as operações cambiais e a ala bolsonarista pode ganhar contornos explosivos.
O Congresso Nacional também entrou em ação: deputados do PT exigiram que o Banco Central informe os nomes dos beneficiários de operações superiores a R$ 500 mil realizadas no mercado de dólar naquela terça-feira. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o COAF também foram acionados.
UM ESQUEMA GLOBAL?
O investidor Spencer Hakimian, fundador da Tolou Capital Management, observou uma operação cambial suspeita feita por um único trader às 13h32 (14h32 no horário de Brasília), com encerramento às 16h19, logo após o anúncio de Trump. A operação, segundo ele, garantiu lucros entre 25% e 50% em poucas horas. Para Hakimian, é evidente que alguém “correu na frente da notícia” com informações sigilosas.
“Alguém operou antes da notícia do tarifaço e saiu logo depois. Isso é crime.” — Spencer Hakimian
QUEM LUCROU COM O CAOS?
Não é a primeira vez que medidas de impacto político e econômico são seguidas de movimentações suspeitas no mercado financeiro. Mas o caso do tarifaço de Trump contra o Brasil chama atenção pela escala bilionária, pela velocidade das transações e pelos possíveis vínculos entre autoridades políticas e agentes econômicos beneficiados.
Enquanto o povo paga mais caro pela instabilidade cambial, a extrema direita internacional — de Trump a Bolsonaro — transforma o caos que provoca em uma fonte inesgotável de lucro.


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