Enquanto apenas 50 bilionários seriam taxados no país, o discurso nas redes sociais é de que “Lula está aumentando impostos” — mesmo entre quem nunca pagou um imposto federal na vida
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Um estudo divulgado no encontro do G20 mostra o que boa parte do povo já sabe — mas finge não saber: se os bilionários pagassem um imposto mínimo, o mundo arrecadaria trilhões.
Segundo o relatório, taxar em apenas 2% os 3 mil mais ricos do planeta geraria R$ 1,3 trilhão por ano para investimentos sociais. No Brasil, apenas 50 pessoas estariam nessa lista. Isso mesmo: cinquenta.
Mas, por alguma razão inexplicável (ou nem tanto), milhões de brasileiros pobres continuam defendendo esses bilionários como se fossem parentes de sangue. Nas redes sociais, é cada vez mais comum ver quem mal ganha um salário mínimo reclamando que “o Lula está criando imposto”, “o Brasil virou uma ditadura tributária” ou “vai faltar dinheiro até pro leite”.
A parte mais curiosa? Quando você pergunta que imposto exatamente o governo está criando ou aumentando, o discurso trava. A maioria sequer sabe o que é IRPF, não entende como funciona uma isenção, e nem percebe que está isenta.
A verdade é que o governo federal aumentou a faixa de isenção do Imposto de Renda, já garantiu que quem ganha até R$ 2.640 não paga nada, e quer ampliar para até R$ 5 mil até 2026. Ao mesmo tempo, passou a cobrar de quem nunca pagou nada: apostas online, fundos exclusivos, grandes fortunas escondidas em paraísos fiscais.
Pobres defendendo os ricos, ricos rindo dos pobres
O fenômeno não é novo, mas parece ter piorado após os anos de bolsonarismo digital. A chamada “base de apoio” de extrema direita transformou o combate à desigualdade em crime ideológico, taxar os super-ricos virou “comunismo” e qualquer política pública passou a ser rotulada como “esmola”.
Enquanto isso, quem anda de jatinho continua blindado, e o pobre segue andando de aplicativo… e pagando tarifa.
A deputada Sâmia Bomfim (PSOL) resumiu bem o absurdo: “Bilionários não deveriam existir. Mas já que existem, o mínimo é que sejam proporcional e devidamente taxados”.
A quem interessa a mentira?
A elite financeira agradece. Não precisa sequer contratar um exército de advogados ou marketeiros. Tem o Zé do Pix e a Maria da Rifa para fazer isso de graça, compartilhando fake news, memes distorcidos e defendendo um sistema que os explora.
O resultado? Um país onde 50 bilionários controlam a riqueza e milhões de brasileiros defendem a desigualdade como se fosse um direito adquirido.
A pergunta que fica é: quando foi que tanta gente passou a acreditar que justiça social é ameaça?

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