TCU determina que ex-servidor devolva mais de R$ 3 milhões por esquema em Goiânia que desviou recursos públicos de beneficiários durante a pandemia
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O ex-gerente da Caixa Econômica Federal (CEF) Carlos Sílvio de Freitas Júnior foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por participação em um esquema de fraude com saques do Auxílio Emergencial, em Goiânia (GO). O desvio ultrapassa R$ 1,5 milhão em valores atualizados até fevereiro de 2025, e a soma total da penalidade imposta — com multa — ultrapassa R$ 3 milhões.
De acordo com o TCU, o ex-servidor executou, entre agosto de 2020 e março de 2021, 11.912 comandos do tipo “Autoriza Saque” — funcionalidade usada para liberar saques sem cartão em terminais eletrônicos, com senha temporária de duas horas. Além disso, foram realizados 11.158 comandos para autorizar dispositivos móveis, permitindo que celulares e tablets acessassem o aplicativo Caixa TEM para movimentar as contas.
Essas operações foram feitas em contas da Poupança Social Digital, criadas especificamente para o recebimento do Auxílio Emergencial, sem a presença dos titulares. O maior saque identificado chegou a R$ 25.934, valor completamente fora do padrão do programa, cujas parcelas variavam de R$ 600 a R$ 1.200.
A investigação revelou que 386 dos 520 CPFs investigados pela Polícia Federal e movimentados por terceiros haviam recebido comandos diretamente de Carlos Júnior. Isso representa 74,2% do total, apontando o ex-gerente como peça central do esquema.
Na última quarta-feira (16/7), o TCU determinou que o ex-funcionário devolva R$ 1.564.847,23 à Caixa e pague multa de valor equivalente ao Tesouro Nacional. O montante pode ser parcelado, caso solicitado.
Em nota oficial, a Caixa Econômica informou que “o caso mencionado já foi apurado pela Corregedoria do banco. A pessoa mencionada não integra o quadro de empregados da Caixa desde outubro de 2021.”
A fraude expõe graves falhas de controle durante o período emergencial da pandemia, quando bilhões de reais foram liberados de forma rápida para socorrer a população. O TCU continua apurando situações semelhantes em outras regiões do país.

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