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UPA 24h, UBSs e até salário atrasado: Sinop vive o caos da saúde pública entregue à iniciativa privada

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Mais uma vez, profissionais da saúde em Sinop estão sem receber seus salários. Médicos, enfermeiros, técnicos e outros prestadores de serviço contratados pela Associação Saúde em Movimento (ASM) denunciam atrasos nos pagamentos — mesmo após a renovação de um contrato milionário com a Prefeitura Municipal.

A ASM é a organização social privada que administra, por meio de contrato com o poder público, a UPA 24h, a Policlínica Menino Jesus, várias Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e o Resgate Avançado do município. Mesmo sendo estruturas vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), financiadas com recursos públicos e com acesso gratuito pela população, boa parte da saúde municipal está hoje nas mãos da terceirização.

Segundo relatos dos próprios trabalhadores e reportagens recentes, os salários vêm sendo pagos com atraso, o que gera insegurança e revolta entre os profissionais. E a explicação da empresa é sempre a mesma: os repasses da Prefeitura estariam em atraso.

Contrato milionário, salário atrasado

O contrato da ASM com a Prefeitura foi renovado recentemente por R$ 75 milhões ao ano, conforme documentos públicos e matérias locais. No entanto, mesmo com esses altos valores empenhados, os salários continuam sendo pagos fora do prazo. A instabilidade financeira compromete o atendimento e desmotiva quem está na linha de frente.

Troca de secretário não resolve caos terceirizado

O então secretário de Saúde de Sinop, Dr. Miranda, foi recentemente substituído após diversas reclamações sobre a gestão da UPA, da Policlínica e de unidades básicas. No entanto, com a chegada do novo titular da pasta, os problemas se agravaram: os atrasos continuam, os atendimentos seguem precarizados e o clima entre os trabalhadores é de desânimo total.

Trocar o secretário não adianta quando o problema está no modelo: a saúde pública continua sendo tratada como negócio terceirizado.

E o SUS, onde fica?

O caso escancara os riscos de um modelo de gestão da saúde pública que depende da lógica empresarial. A terceirização tem avançado em Sinop e em diversas cidades do Brasil, com promessas de “eficiência” e “qualidade”. No entanto, o que se vê na prática são serviços precarizados, profissionais desrespeitados e população mal atendida.

A UPA 24h é uma unidade federal criada pelo SUS para atender emergências e urgências de forma pública e universal. Sua entrega à gestão privada, no entanto, transformou um serviço essencial em uma empresa com folha de pagamento atrasada e risco de colapso funcional.

A saúde terceirizada em Sinop virou rotina — e problema. Em vez de concursos, direitos e estabilidade, o que se impõe são contratos precários, desvio de finalidade do SUS e sofrimento para quem está na ponta do atendimento.


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