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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Decisão de Luiz Fux proibiu Lula de dar entrevista ainda em 2018, mesmo preso. Já em 2025, Alexandre de Moraes determinou que Jair Bolsonaro não pode conceder entrevistas, sob risco de prisão por descumprimento. A diferença está apenas na indignação seletiva.

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

m setembro de 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF), por decisão do ministro Luiz Fux, proibiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conceder entrevistas enquanto estava preso. A liminar cassou uma decisão anterior de Ricardo Lewandowski que autorizava a imprensa a entrevistá-lo na prisão. A justificativa de Fux foi de que Lula, mesmo detido, poderia interferir no processo eleitoral — ainda que seus direitos políticos já estivessem suspensos.

Na ocasião, a direita brasileira, incluindo bolsonaristas, celebrou a medida. A censura ao maior líder popular do país foi vista como algo “necessário” para garantir a “normalidade” das eleições. Não houve gritaria, nem denúncias de autoritarismo. Pelo contrário: aplaudiram de pé o silenciamento de Lula.

Agora, em 2025, o cenário se repete — mas com outro protagonista. O ministro Alexandre de Moraes proibiu o ex-presidente Jair Bolsonaro de conceder entrevistas, no âmbito de investigações que apuram tentativas de golpe de Estado, articulações antidemocráticas e violação de medidas cautelares. Bolsonaro, no entanto, desrespeitou a decisão e deu entrevista a uma rádio de extrema direita.

A resposta do STF veio rápida: Moraes deu 24 horas para a defesa do ex-presidente explicar o descumprimento da ordem judicial. Caso não haja justificativa plausível, Bolsonaro poderá ter medidas mais duras aplicadas — incluindo prisão preventiva.

Diante disso, os mesmos setores que comemoraram a mordaça imposta a Lula em 2018 agora se revoltam. Acusam Moraes de abuso de autoridade, dizem que o Brasil vive uma ditadura e atacam a imprensa e o Judiciário. A indignação seletiva escancara a hipocrisia de quem só defende liberdade quando lhe é conveniente.

O caso de Lula em 2018 e o de Bolsonaro em 2025 são diferentes nos detalhes, mas semelhantes na essência: ambos foram proibidos de dar entrevistas por decisão judicial. A diferença está na reação de seus seguidores. Quando Lula foi silenciado, a direita ficou em silêncio. Quando Bolsonaro foi contido, virou “ditadura”.

A democracia exige coerência. Ou todos têm direito à livre expressão, ou todos devem cumprir a lei. O resto é narrativa de conveniência.


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