“Deus, Pátria e Família?” — Qual Deus abona o ódio? Qual Pátria despreza seus filhos? Qual Família ensina a insultar quem pensa diferente?
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O locutor Cuiabano Lima, estrela dos rodeios e voz oficial da 57ª Expoagro de Cuiabá, causou indignação ao transformar o microfone do evento em palanque político e atacar diretamente a população de esquerda. Em plena arena lotada no Parque de Exposições, declarou:
“Aqui é Bolsonaro, porra! Eu quero mandar, com todo respeito, um alô pra galera da esquerda: vá pra puta que pariu, ok? Valeu! Obrigado!”
A cena, registrada em vídeo e amplamente divulgada nas redes sociais neste domingo (21), escancarou um duplo padrão recorrente nos setores bolsonaristas: quando ofendem e pregam o ódio, é “liberdade de expressão”. Mas, se fosse o contrário — um artista ou locutor mandando os bolsonaristas “pra puta que pariu” —, a extrema direita já estaria em campanha por prisão, censura e CPI.
A fala ocorreu logo após o discurso do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), e foi recebida com gritos, vaias e aplausos — num ambiente que deveria ser familiar, mas virou palco de radicalização e afronta à democracia.
“Não vamos nos curvar ao ódio”
O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Sinop (MT), Ney da Saúde, repudiou a atitude:
“Nós, da esquerda democrática, não vamos nos curvar a esse tipo de provocação. Repudiamos o extremismo, seja ele de direita ou de esquerda. Mas é inadmissível que um espaço público seja tomado por discursos de ódio como esse. Isso não é liberdade de expressão, é violência política.”
Para ele, esse tipo de comportamento precisa ser banido de eventos públicos, especialmente aqueles financiados com recursos do povo e frequentados por crianças e famílias:
“O que estariam dizendo os bolsonaristas se um artista gritasse ‘fora Bolsonaro’ ou mandasse eles ‘pra puta que pariu’? Estariam revoltados nas redes sociais, pedindo punição imediata. Mas, vindo deles, tudo é permitido.”
Conivência e impunidade
Ainda não se sabe o número exato de pessoas presentes na noite do evento, mas estima-se que o rodeio reuniu milhares de pessoas no Parque de Exposições. A Expoagro é uma das maiores feiras agropecuárias do Centro-Oeste e, por isso mesmo, deveria manter neutralidade institucional.
Apesar da repercussão negativa nas redes, nenhuma autoridade local se manifestou até o momento, e a organização do evento tampouco emitiu nota. A omissão levanta questionamentos sobre a conivência com a radicalização bolsonarista e o uso eleitoral de eventos públicos para atacar adversários.
Bolsonaro inelegível, mas o ódio segue ecoando
Jair Bolsonaro está inelegível, com tornozeleira eletrônica, e responde a diversos processos na Justiça — incluindo tentativa de golpe. Ainda assim, seus apoiadores seguem promovendo o discurso de ódio e negando os princípios mais básicos da convivência democrática.
“Não é assim que se constrói um Brasil melhor. É com diálogo, com respeito às diferenças e com compromisso com o povo — não com microfones em palanques improvisados e discursos de ódio em eventos públicos”, conclui Ney da Saúde.

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