Escândalo atinge deputado moralista que destinou R$ 4,8 milhões para projeto com assinatura de defunto. Enquanto isso, escolas seguem sem verba e hospitais com goteira.
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O projeto “Mais Rio em Movimento”, idealizado para oferecer aulas gratuitas de esporte no Rio de Janeiro, virou manchete nacional — mas não pelas atividades esportivas. Uma investigação da UOL revelou que um dos documentos usados para justificar contratos do projeto foi assinado por um homem que já estava morto há três meses.
Sim, uma assinatura de defunto foi usada como parte da “pesquisa de preços” para locação de veículos. E isso não é roteiro de filme de comédia: é a realidade da má gestão de verbas públicas no Brasil, com R$ 4,8 milhões em emendas parlamentares repassadas à ONG Instituto Realizando o Futuro, responsável pelo projeto.
O autor da emenda? O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), conhecido por seu discurso moralista e por atacar a “doutrinação nas escolas” e a “corrupção da esquerda”. Agora, Jordy está no centro de um esquema que envolve ONGs, contratos suspeitos, empresas investigadas por propina e até fantasmas assinando papelada.
Segundo a denúncia, além da assinatura do falecido, a ONG contratou por R$ 367 mil a empresa Plus Play — cujo proprietário já foi acusado de pagar propina na gestão de Marcelo Crivella. A empresa emitiu documentos recheados de erros grotescos, como a descrição de um item intitulado “fonteciagato de que de 200 ml e alimentação aos beneficiários”.
Mesmo diante das evidências, Jordy se esquivou dizendo que não tem responsabilidade sobre a execução do projeto, embora tenha sido ele quem indicou a entidade e direcionou os recursos. Após o escândalo, parte do dinheiro foi redirecionada a outras ONGs, também ligadas ao parlamentar.
A farsa dos vivos sustentada por mortos
Enquanto isso, comunidades da periferia seguem abandonadas. Escolas públicas continuam sem verba, hospitais pingam pelas rachaduras, e mães aguardam atendimento médico que nunca chega.
Mas o que não falta é criatividade para justificar o gasto com verba pública. Agora, até alma penada serve para forjar cotação de preço.
A pergunta que fica é: quantos outros mortos já “trabalharam” em projetos assim? Quantos fantasmas sustentam a farra dos vivos engravatados?

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