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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Em vez de reforçar os cofres públicos, valor de acordo com a operadora foi parar em fundos ligados a empresários da elite cuiabana. E o povo? Fica no “modo avião”.

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Tudo começou com uma disputa judicial da Oi contra o Governo de Mato Grosso, ainda em 2009. A empresa de telefonia alegava ter sido cobrada indevidamente por ICMS. Em 2023, a Oi decidiu “repensar a vida” e transferiu os direitos desse processo para o escritório Ricardo Almeida Advogados. O valor? Atualizado para modestos R$ 308 milhões. Um acordo com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) foi assinado e homologado em abril de 2024.

Até aí, tudo bem… ou quase.

O dinheiro, em tese, deveria ir para a empresa que se sentiu lesada, certo? Mas o caminho foi um pouco mais… criativo. Por sugestão do advogado Ricardo Almeida, o governo repassou os valores para dois fundos “especializados”: Lotte Word e Royal Capital, que prontamente dividiram a bolada — cerca de R$ 154 milhões para cada.

Mas aí é que a história ganha um toque de genialidade. Parte desses fundos transferiu os créditos para o fundo Golden Bird, aquele tipo de nome que só falta voar mesmo. E o que fez o pássaro dourado com o dinheiro? Comprou créditos da recuperação judicial da Engeglobal Construções Ltda., empresa que, veja só, pertence ao senhor Robério Garcia, pai do secretário da Casa Civil e deputado licenciado Fábio Garcia, aliado e sócio da família do governador Mauro Mendes. Coincidência?

E não parou por aí. Em dezembro de 2023, o Golden Bird foi autorizado pela Justiça a emprestar R$ 15 milhões para a Engeglobal concluir o hotel de luxo Cuiabá Golden Hotel, no coração do centro administrativo da capital. Porque, claro, o que Mato Grosso mais precisava neste momento era de um hotel de luxo novo, não de hospitais, escolas ou concursos públicos.

Mas calma que melhora. Em agosto de 2024, a Justiça ainda liberou R$ 20 milhões de outro fundo, o Silver Bird, gerido pela Positiva Investimentos (ótimo nome, aliás), também para a Engeglobal. E em fevereiro de 2025, o Golden Bird fez uma “cisão” e passou R$ 26 milhões para esse Silver Bird. Aparentemente, os pássaros estavam migrando para o luxo.

Detalhe importante: a Engeglobal está em recuperação judicial desde 2018 e, até hoje, não conseguiu terminar a obra. Mas, com tanto apoio vindo de créditos milionários nas costas do contribuinte, quem sabe agora vai!

A pergunta que não quer calar: onde está o interesse público nisso tudo? Enquanto hospitais regionais sofrem com a falta de médicos, professores esperam convocação e asfalto vira poeira nas periferias, o Estado paga R$ 308 milhões num acordo… e o dinheiro some no voo elegante de fundos privados, com destino a obras de luxo.

Ah, Mato Grosso… cada vez mais longe do 5G, mas cada vez mais perto de escândalos de dar inveja a qualquer série de suspense político.


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