Nicoletti, líder religioso da Igreja Recomeçar, é alvo de inquérito por envolvimento em esquema de pirâmide com criptomoedas; em culto, atacou fiéis e exaltou riqueza como sinal de fé.
Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Enquanto milhões de brasileiros enfrentam dificuldades econômicas, um pastor com discurso de ódio e histórico duvidoso ganha espaço nas redes sociais pregando uma falsa teologia da prosperidade. Trata-se de Nicoletti, fundador e presidente da Igreja Recomeçar, atualmente investigado pela Polícia Civil de São Paulo (PCSP) por supostamente usar a instituição para lavar dinheiro de um esquema de pirâmide financeira com criptomoedas.
Segundo relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), somente em um ano a conta da igreja recebeu mais de R$ 4 milhões oriundos do grupo investigado. O volume atípico de movimentações chamou a atenção das autoridades, que suspeitam da relação direta entre os envolvidos. Procurado pela imprensa, o pastor negou irregularidades e chamou o relatório do Coaf de “mentiroso”.
Do púlpito à arrogância
Mesmo sob investigação, Nicoletti segue promovendo falas polêmicas e ofensivas durante os cultos transmitidos online. Em vídeo que viralizou nas redes sociais no último mês, o pastor declarou abertamente:
“Eu odeio pobre. Jesus nunca foi pobre. Se te falaram isso, mentiram.”
Além disso, atacou diretamente o presidente Lula (PT), chamando-o de “ladrão”, e afirmou que o pobre “é vítima de alguém que o fez ficar pobre, e sempre acha que o mundo deve para ele”.
No mesmo culto, em meio a fiéis atônitos, Nicoletti ainda declarou:
“Tem muito cristão ladrão dentro da igreja que rouba o altar e critica a corrupção.”
Após a repercussão negativa, o pastor alegou ter sido mal interpretado — a velha desculpa daqueles que usam o nome de Deus para justificar preconceito e elitismo.
Falsos moralistas e o mercado da fé
O caso escancara o crescimento de uma ala religiosa que mistura pregação com lavagem de dinheiro, ódio travestido de fé e ataques políticos que alimentam a polarização. Falsos moralistas como Nicoletti, que dizem pregar o evangelho, mas vivem do lucro fácil, usam a estrutura da igreja para enriquecer — às custas da boa-fé dos fiéis.
Enquanto isso, a hipocrisia corre solta: atacam políticos eleitos democraticamente, mas se beneficiam de esquemas milionários; chamam os pobres de preguiçosos, mas se escondem atrás de CNPJs religiosos para movimentar milhões sem fiscalização.
O discurso de Nicoletti não é isolado. Ele representa uma parte ruidosa e tóxica do fundamentalismo que se aproveita da fé alheia para propagar ódio, atacar os mais vulneráveis e alimentar teorias elitistas que nada têm a ver com o cristianismo real, aquele que defende justiça, igualdade e amor ao próximo.
A fé não é mercadoria
É urgente separar espiritualidade de oportunismo. O povo brasileiro, em sua maioria cristão, não compactua com esse tipo de discurso. A verdadeira fé não odeia o pobre — acolhe. A verdadeira fé não lava dinheiro — denuncia. A verdadeira fé não se cala diante da injustiça — luta por transformação social.
Nicoletti não é exemplo de pastor. É exemplo de como o dinheiro e o fanatismo, quando unidos, produzem aberrações morais travestidas de líderes religiosos.

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