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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Doutrina econômica do trumpismo aposta no poder financeiro e no dólar como armas de dominação global, ameaçando o multilateralismo e aprofundando o desequilíbrio entre nações.

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

O velho “porrete” da política externa norte-americana ganhou uma versão atualizada na era Trump: se antes era sinônimo de força militar, agora passa a ser também uma arma econômica. O novo “Big Stick” do trumpismo é monetário — e pretende impor aos demais países a vontade dos Estados Unidos através da manipulação de mercados, taxas de juros e sanções financeiras.

A lógica é simples: em vez de construir pontes e respeitar acordos multilaterais, a extrema direita americana prefere bater na mesa com o poder do dólar — impondo tarifas, bloqueios e chantagens econômicas sob o discurso de “America First” (América em primeiro lugar).

O que está por trás da nova doutrina

Inspirado na política do ex-presidente Theodore Roosevelt — que dizia “fale suavemente e carregue um grande porrete” — o trumpismo modernizou essa tática, usando agora o sistema financeiro internacional como instrumento de coerção. O objetivo é manter a supremacia dos EUA num cenário global cada vez mais multipolar e competitivo.

A proposta de um novo acordo monetário internacional, defendida por aliados de Trump, busca centralizar o controle do comércio e das moedas estrangeiras nas mãos dos norte-americanos. É uma tentativa clara de conter o avanço da China, da Rússia e até mesmo de países do Sul Global que ensaiam maior autonomia econômica.

Multilateralismo em risco

Essa estratégia representa um grave retrocesso. Ao enfraquecer organismos como o FMI, o Banco Mundial e até a ONU, o trumpismo mina décadas de construção de espaços multilaterais, onde decisões eram debatidas entre diferentes países. A nova doutrina do “porrete monetário” transforma a diplomacia em imposição, e a cooperação internacional em subordinação.

Com essa postura, os Estados Unidos podem acabar isolados, ao mesmo tempo em que fortalecem alianças entre nações que buscam escapar da dependência do dólar — como é o caso dos BRICS e de iniciativas para criar moedas regionais.

O impacto para o Brasil e o mundo

Para o Brasil, a ascensão dessa doutrina pode significar:

  • Aumento da instabilidade cambial, com oscilações violentas do dólar;
  • Dificuldades no comércio internacional, com barreiras impostas sob pretextos protecionistas;
  • Pressões políticas para alinhar interesses econômicos aos desejos do trumpismo.

Em vez de respeitar a soberania dos povos e buscar um mundo mais justo, a extrema direita norte-americana insiste em impor sua vontade pela força — agora não mais com tanques, mas com bancos e bolsas de valores.

Resistência e alternativas

O momento exige firmeza dos países latino-americanos e emergentes. É preciso defender o multilateralismo, fortalecer o Mercosul, os BRICS, e buscar caminhos próprios de desenvolvimento que não dependam da tutela dos EUA. O Brasil tem papel estratégico nesse cenário e deve agir com soberania, inteligência e coragem.

O porrete de Trump pode até bater forte, mas não é eterno. A história mostra que impérios que abusam do poder tendem a cair pela própria arrogância.


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