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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Deputados da extrema direita comemoraram às 3h40 da manhã a aprovação de um projeto que facilita a devastação ambiental e enfraquece o licenciamento no país.

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Enquanto o Brasil dormia, a boiada passava. Às 3h40 da madrugada desta quinta-feira (17), deputados da base bolsonarista no Congresso Nacional comemoraram a aprovação de um projeto que enfraquece o licenciamento ambiental, libera mineração com menos controle e rebaixa a proteção de áreas sensíveis, como a Margem Equatorial. O texto, aprovado no apagar das luzes, representa um dos maiores retrocessos ambientais dos últimos anos — e ainda foi celebrado com risos e fotos em plenário.

A proposta, que altera a Política Nacional de Licenciamento Ambiental, abre brechas para que obras de alto impacto sejam liberadas com prazos reduzidos, sem estudos aprofundados e, em muitos casos, apenas com autodeclarações dos próprios interessados. A medida afeta diretamente projetos de mineração, infraestrutura e exploração de petróleo, incluindo áreas de alta biodiversidade.

A votação simbólica foi feita às pressas, durante a madrugada, em um claro desrespeito à transparência e ao debate público. Não por acaso: sabiam que, em plena luz do dia, teriam dificuldade em explicar a destruição ambiental que aprovaram.

Uma celebração da irresponsabilidade

Em vez de ponderação, houve festa. Em vez de compromisso com as futuras gerações, houve risadas e aplausos. Deputados bolsonaristas, que há anos atacam o meio ambiente em nome do lucro imediato, foram fotografados celebrando o que muitos já chamam de “licenciamento da boiada” — em referência à frase infame do ex-ministro Ricardo Salles.

A reação da sociedade civil e de parlamentares da oposição foi imediata. A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) classificou a aprovação como um atentado contra o povo brasileiro e denunciou o ataque aos direitos socioambientais. Ambientalistas alertam para o risco de desmatamento descontrolado, impactos à fauna, poluição de rios e oceanos e o enfraquecimento de mecanismos de controle social.

Governo deve reagir

O governo Lula, que havia tentado barrar trechos do projeto, agora estuda vetar partes estratégicas da proposta. Entre os pontos mais críticos está a liberação facilitada para a exploração de petróleo na Margem Equatorial — área de alta sensibilidade ecológica — e a exclusão de comunidades tradicionais do processo de licenciamento.

Organizações ambientais e movimentos populares pedem mobilização nacional para que o presidente vete integralmente o texto. A pressão também cresce internacionalmente, já que o Brasil é sede da próxima COP‑30 e vinha sendo apontado como referência na retomada da agenda climática.

Preservar é preciso. Retroceder, jamais.

O que está em jogo vai além da política: trata-se do futuro do país. Água limpa, solo fértil, ar respirável e equilíbrio climático dependem de políticas públicas responsáveis, não de negociatas na calada da noite. O Brasil precisa caminhar para a transição ecológica, com sustentabilidade, justiça social e respeito à biodiversidade — não para o vale-tudo predatório aprovado por deputados a serviço de interesses privados.

Na dúvida entre defender a vida ou o lucro imediato, a base bolsonarista já mostrou de que lado está. Resta ao povo brasileiro cobrar, resistir e exigir que a boiada seja barrada — com veto presidencial, mobilização popular e memória nas urnas.


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