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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Estado tem mais de 6 mil cargos vagos na PM, mas governo propõe modelo inconstitucional de policiais temporários em vez de nomear aprovados no concurso público

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

Em mais uma medida polêmica, o governador Mauro Mendes (União Brasil) anunciou estudos para a criação de um modelo de polícia militar temporária em Mato Grosso, mesmo com mais de 1.100 aprovados no concurso público aguardando nomeação e mais de 6 mil cargos vagos na corporação.

A proposta é estudada por uma comissão da Polícia Militar desde 16 de julho, conforme portaria publicada pelo próprio governo. O objetivo declarado é reduzir custos, criando vínculos temporários e instáveis com profissionais que, em tese, exerceriam funções de policiamento ostensivo — uma das atividades mais arriscadas da segurança pública.

A justificativa do governo é uma suposta economia de R$ 20 milhões por ano. Porém, especialistas, juristas e representantes de segurança criticam duramente a proposta. Segundo o ex-governador e ex-procurador Pedro Taques, trata-se de uma tentativa de burlar a Constituição:

“A Constituição prevê que os cargos das polícias militares sejam ocupados por servidores efetivos. Polícia militar temporária é inconstitucional. Pior: abre brecha para a formação de milícias, com servidores vulneráveis à pressão política e sem preparo adequado”, afirmou Taques.

A criação de policiais temporários já foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outros estados, como o Rio Grande do Sul, onde a proposta caiu por inconstitucionalidade.

Além disso, a crítica central se sustenta no desrespeito aos concursados, que estudaram, passaram por processos rigorosos e aguardam há meses a convocação. Muitos desses aprovados já protestaram publicamente, denunciando o descaso da gestão estadual com a segurança pública e a estabilidade institucional.

Com altos índices de violência e criminalidade proporcional à sua população, Mato Grosso não pode brincar com a segurança pública. Profissionais mal treinados, instáveis e sem vínculo duradouro não podem substituir um efetivo concursado e comprometido com a carreira.

Ao optar por um modelo de terceirização e precarização, Mauro Mendes mais uma vez prioriza o corte de gastos imediatos em detrimento da vida e segurança da população. O risco de falhas operacionais, corrupção e influência política em estruturas frágeis só aumenta. A economia prometida pode sair muito mais cara — em vidas e em confiança pública.


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