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A RESISTÊNCIA TAMBÉM SE ESCREVE

Moção de aplausos ao presidente dos EUA virou piada nacional e expôs o grau de submissão de parte da política mato-grossense

Pela Redação | A Voz do Povo Em Tela

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso protagonizou um dos episódios mais bizarros da política brasileira em 2025. Durante sessão ordinária no dia 9 de julho, o deputado estadual Xuxu Dal Molin (União Brasil) apresentou uma moção de aplausos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alegando que o norte-americano teria “defendido a democracia brasileira” e “prestado solidariedade aos conservadores”.

O problema é que a moção veio no exato dia em que Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, atingindo diretamente o agronegócio de Mato Grosso — um dos principais exportadores de carne, soja, algodão e madeira para os EUA. O gesto de Dal Molin foi imediatamente interpretado como uma afronta à inteligência do povo mato-grossense e uma demonstração explícita de subserviência internacional.

“Enquanto produtores rurais acordavam com a notícia de que seriam prejudicados por uma decisão unilateral do governo norte-americano, o deputado usava a tribuna para aplaudir o causador do prejuízo”, comentou um parlamentar nos bastidores, sob reserva.

A iniciativa não passou despercebida. Nas redes sociais, o vídeo do discurso viralizou, acompanhado de piadas, memes e críticas ao que muitos chamaram de “lambe-botas diplomático”. A base de apoio do próprio deputado se dividiu, com setores do agronegócio demonstrando perplexidade com o alinhamento cego a um líder estrangeiro que, naquele momento, atacava economicamente o Brasil.

Puxa-saquismo internacional e delírio ideológico

A moção proposta por Xuxu Dal Molin parecia ter saído de um roteiro de comédia: elogiar o presidente de um país que, horas antes, taxou os produtos que sustentam o próprio estado que o parlamentar representa.

Para além do ridículo, o gesto revela o nível de alienação e servilismo que ainda existe em setores da extrema-direita brasileira, que preferem bajular figuras internacionais a defender os interesses concretos da população local. A base eleitoral de Dal Molin — produtores rurais, cooperativas e exportadores — deve ser a mais atingida pela medida de Trump.

Em vez de repudiar a taxação injusta e defender os produtores de Mato Grosso, o deputado preferiu posar de fã de Trump, tentando faturar politicamente com o velho discurso do “mito internacional da direita” — mesmo que isso custe milhões em prejuízos ao estado.

Brasil, quem te ama não te USA

O episódio reacendeu o debate sobre a postura de parte da elite política brasileira, que se curva a interesses estrangeiros em troca de palanque ideológico. A frase que viralizou nas redes — “Brasil, quem te ama não te USA” — nunca fez tanto sentido.

Enquanto o Brasil tenta se reerguer no cenário global, firmando parcerias com diversos países e promovendo o reequilíbrio das relações internacionais, ainda há quem prefira a posição de colônia bajuladora, pronta para bater palmas mesmo sob pancada.


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